Marcelo Tasso|Estadão
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Renzo Agresta se diverte com a 'perda ' do ônibus na Olimpíada

Esgrimista recorda a espera de horas pelo transporte para voltar à Vila, em Atenas, 2004

Marcelo Tasso|Estadão
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Alessandro da Mata, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2016 | 05h39

Dia de folga nos Jogos. Aos 19 anos, Renzo Agresta, representante do Brasil na esgrima, passa praticamente despercebido pelo público que acompanha Ricardo e Emanuel, na arena de vôlei de praia. Após um jogo, ele espera a dupla para voltar à Vila Olímpica. Mas, tarde da noite, os ônibus circulam em horários restritos em Atenas, na Grécia... Pronto: a tietagem vira mico.

"Falaram para o Emanuel ficar tranquilo no vestiário, pois haveria transporte para os atletas. Mas nós perdemos o ônibus. Tivemos que esperar horas. Quase até meia noite. Foi bem inusitado", recorda Renzo, em meio a risos, sobre o episódio de 2004. 

Após três experiências olímpicas e um ou outro fato curioso, o esgrimista chega para os Jogos do Rio em uma das melhores fases da carreira. O retrospecto recente inclui vitórias sobre medalhistas olímpicos e campeões mundiais. O título pan-americano veio em maio, sobre o americano Andrew Mackiewicz, um bicampeão da competição.

Renzo reconhece que a esgrima não é tão popular no Brasil. Trata-se do único esporte de combate no qual não se permite contato corporal. Nela, dois competidores se enfrentam presos por fios elétricos elásticos. Eles usam equipamentos de proteção e armas brancas, com sensores. O objetivo é tocar o adversário com a ponta de uma arma, sem ser tocado. A informação é transmitida por tecnologia wi-fi, em tempo real, o que facilita a contagem de pontos dos árbitros.

"Os Jogos são uma grande oportunidade para o público conhecer esse esporte, que é um dos mais tradicionais da Olimpíada. Vale pelo espetáculo e por ter um brasileiro com chances reais de pódio", destaca Renzo.

O brasileiro concluirá os treinos da modalidade sabre na Itália. A arma é uma espécie de espada mais leve, curta, curvada e flexível. Os pontos são registrados apenas quando ela toca o adversário acima da cintura, quando alguns competidores costumam gritar "touché", expressão original da França cujo significado é "atingido". Os sensores ficam na lateral do objeto.

O fato de os Jogos serem no Rio este ano não causam pressão adicional ao esgrimista. Tampouco o jogo ser em "X" (movimento dos atletas será nesse formato), pela primeira vez, em uma arena circular e cheia de luzes em neon, para o público acompanhar ao menos dois confrontos de forma simultânea.

"Tenho uma grande responsabilidade comigo mesmo. Todo atleta carrega uma responsabilidade grande. Ele tem que realizar o máximo do seu potencial em qualquer local ou formato", afirma Renzo.

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