Reservas em 2004, eles estão prontos para jogar em Pequim

Astros da NBA querem apagar a imagem de 'atletas de exibição altamente remunerados' que não ganham títulos

Pete Thamel, The New York Times

29 de julho de 2008 | 11h36

LeBron James, Dwayne Wade e Carmelo Anthony foram mais testemunhas que participantes na derrocada do basquete americano em Atenas 2004. Eles eram jovens astros, recém-saídos de suas temporadas de estréia na NBA e mal saíram do banco enquanto o time disfuncional de Larry Brown despencava para terminar em terceiro lugar, o pior desempenho olímpico do basquete americano.  "O ruim foi não jogar", disse LeBron. "Nós sabíamos que podíamos ajudar nosso time em algumas situações do jogo. Depois de ficar 38 dias longe da família e não receber uma oportunidade real de jogar, foi ruim para nós", completou. Desde aquele desempenho decepcionante, toda a organização do basquete americano foi reformulada. Agora, o time está reestruturado e tem em James, Anthony e Wade seus pontos de coesão.  Jerry Colangelo, presidente do Phoenix Suns, foi escolhido para diretor administrativo da USA Basketball em 2005. Ele implantou compromissos obrigatórios de três anos para conter a porta giratória de jogadores entrando e saindo do sistema, e depois se eximindo da competição no último minuto. Um encerramento em sexto lugar no campeonato mundial de 2002 e uma medalha de bronze nas Olimpíadas de Atenas derrubaram a idéia pretensiosa de que um punhado de jogadores norte-americanos podia simplesmente entrar em quadra e vencer equipes estrangeiras que praticaram durante anos. "Precisamos provar ao mundo que não somos apenas atletas de exibição altamente remunerados", disse Wade. "Precisamos mostrar que conhecemos esse jogo e respeitamos esse jogo e sabemos como jogá-lo da maneira certa. O basquete americano depende muito disso." Colangelo destacou o treinador Mike Krzyzewky do Duke Basketball para treinar a seleção e depois contatou 24 jogadores em reuniões cara a cara para convidá-los a integrar o programa. Assim eles poderiam formar um grupo de jogadores familiarizados com a equipe técnica, com seus colegas de time e com as nuances do basquete internacional. A equipe olímpica de 2004 treinou durante 20 dias apenas antes dos Jogos de Atenas. O núcleo do time que vai a Pequim terá treinado, praticado e jogado junto por 89 dias nos últimos três anos. Com um programa que convocou mais de 30 jogadores, a seleção americana pode contar com flexibilidade sem perder um senso de familiaridade e estabilidade. "Acho que surgiu um vínculo entre muitos desses jogadores", disse Colangelo. "Eles estão muito mais coesos hoje dentro e fora da quadra do que jamais estiveram. Acho que isso renderá dividendos." Até agora, os resultados foram sólidos, mas não perfeitos. A seleção americana ganhou 18 jogos e perdeu somente um desde a reforma de Colangelo. Em 2006, no campeonato mundial no Japão, a equipe venceu com uma média de 20,5 pontos. Mas uma derrota nas semifinais para a equipe grega que não tinha um único jogador da NBA obrigou os EUA a disputarem o bronze. Os três anos de preparação deixaram os americanos tão confiantes que James garantiu que os americanos trarão a medalha de ouro. E ele não é o único com essa atitude de ouro ou nada. Anthony disse que os americanos teriam "que bater em nós" para perdermos. Se a seleção americana subir ao pódio para o ouro como espera, isso terá um gostinho especial para Anthony, James e Wade porque eles viram em primeira mão, do banco, as profundezas do basquete americano. 

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