Rice diz que boicote à Olimpíada de Moscou foi 'ineficaz'

Secretária de Estado dos Estados Unidos ameniza pressão pelo boicote para evitar crise com a China

Sue Pleming, REUTERS

28 de março de 2008 | 16h00

A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, acredita que o boicote aos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, foi "ineficaz" e não vê benefícios em ofuscar a Olimpíada de Pequim devido à instabilidade no Tibete. Em entrevista ao jornal The Washington Post, Rice disse que seria um "insulto" ao povo chinês se os Estados Unidos boicotassem tanto a cerimônia de abertura como os Jogos Olímpicos propriamente ditos.  "Não vejo benefício em boicotar", disse Rice na entrevista, segundo transcrição divulgada nesta sexta-feira pelo Departamento de Estado. Rice, fanática torcedora de esportes, disse que um eventual boicote também seria desleal com os atletas. "Vejo isso como manter a confiança em atletas que treinaram durante suas vidas inteiras por essa oportunidade e não devem ser negados." Os Estados Unidos lideraram um boicote aos Jogos de 1980 em Moscou para protestar contra a invasão da União Soviética no Afeganistão e recebeu o apoio de 60 países, incluindo a China. Rice criticou a decisão de 1980, que resultou numa resposta da União Soviética e da maior parte dos países do bloco oriental nos Jogos de 1984, em Los Angeles. "Não acho que o boicote à Olimpíada de 80 foi muito efetivo. Na verdade, acho que foi ineficaz", disse ela. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, deixou aberta a possibilidade de não participar da cerimônia de abertura em Pequim, em protesto à repressão chinesa a manifestações de monges no Tibete. Mas Rice disse que quando os Jogos Olímpicos foram entregues a Pequim, o mundo sabia uma série de questões que deveriam ser encaradas e que os países deveriam alertar o governo chinês sobre suas "políticas problemáticas", em vez de boicotar os Jogos.

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