Rio-2016 deve ser ponto de partida

Fizemos bonito mais uma vez diante de todo o ceticismo nacional e internacional

Abílio Diniz*, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2016 | 03h00

Antes de a Olimpíada começar, muitos faziam previsões catastróficas sobre o evento. Até brasileiros entraram na onda, se esquecendo da agilidade e do valor do nosso País. Os céticos, inclusive no Comitê Olímpico Internacional, diziam que nada funcionaria e que as instalações não estariam prontas. Como se falou antes da Copa do Mundo de futebol. Mas, como em 2014, as coisas funcionaram bem em 2016.

Existiram falhas, como em qualquer lugar, com filas longas por causa das novas necessidades de segurança e serviços de alimentação insuficientes em locais de competição. Mas elas não tiraram o brilho do esforço feito. O Rio e o Brasil estão de parabéns.

Por outro lado, como na Copa do Mundo, os resultados esportivos ficaram abaixo do esperado para um país que pode e deve ser potência olímpica.

O Brasil não tem ainda cultura esportiva forte, e o brasileiro não se conscientizou da importância da prática de esportes para que seja não só um país vencedor em torneios internacionais, mas também uma nação mais saudável e com melhor qualidade de vida.

Para isso, é preciso aumentar a conscientização da população e de nossos educadores sobre a importância da atividade física, que, junto com a boa alimentação, tornam a vida mais produtiva e prazerosa.

O segundo ponto nesse esforço é estimular as empresas a apoiarem mais a prática esportiva, os valores do esporte e a atividade física, o que faz bem para a própria empresa. Em 2011, criamos o NAR (Núcleo de Alto Rendimento), apoiado pelo Instituto Península, da família Diniz, para desenvolver o esporte de alto nível no Brasil. Por lá passaram muitos atletas que competiram na Rio-2016, inclusive medalhistas. O NAR prova claramente que o apoio ao esporte gera frutos e deve ser mais incentivado.

O terceiro ponto, fundamental, é melhorar a qualidade dos nossos dirigentes esportivos. Não é tarefa fácil. O mundo é carente de líderes, mas precisamos buscar aqueles que existem para colocarmos à frente de área tão importante.

A Rio-2016, portanto, não deve ser ponto de chegada, mas de partida para o esporte brasileiro. O show espetacular que os melhores atletas do Brasil e do mundo deram em nossa casa deve ser fonte de inspiração e motivação para o desenvolvimento do esporte.

Não é coincidência o fato de o quadro de medalhas ser dominado pelos países mais poderosos do mundo. O sucesso esportivo aumenta a autoestima das nações e inspira as pessoas.

Por trás de cada um dos milhares de atletas que competiram no Rio há uma história incrível de dedicação, foco e superação. Para ficar só em alguns dos nossos novos medalhistas, a judoca Rafaela Silva, o canoísta Isaquias Queiroz, o saltador com vara Thiago Braz e o boxeador Robson Conceição são exemplos de como o esporte pode levar as pessoas muito mais longe na vida.

Realizamos a Olimpíada que podíamos realizar, e mais uma vez fizemos bonito diante de todo o ceticismo nacional e internacional.

Em 7 de setembro começa a Paralimpíada, e com ela o Brasil encerrará seu ciclo de megaeventos esportivos mundiais.

Tanto a Copa do Mundo quanto a Rio-2016 deixaram claro que o Brasil tem sim capacidade de receber o mundo e promover eventos de classe internacional. Isso não é pouco.

O clima sombrio que dominava o País antes da emocionante cerimônia de abertura foi sendo afastado pelas imagens incríveis proporcionadas pelos melhores atletas do mundo no belo cenário carioca.

Vamos lutar agora para manter esse astral, um legado extra da Rio-2016. E vamos nos esforçar para que o nosso desempenho em Tóquio-2020 traga ainda mais felicidade ao povo brasileiro. Para isso, o trabalho precisa continuar intenso.

*Empresário

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