Pascal Le Segretain/AFP
Thomas Bach abre reunião do Comitê Executivo do COI no Rio Pascal Le Segretain/AFP

Rio-2016 ainda busca R$ 250 milhões para fechar conta dos Jogos

Petrobras não aceitou entrar como parceira no evento

Jamil Chade - Enviado especial ao Rio, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2016 | 05h00

A menos de uma semana para o início da Olimpíada, o Rio ainda não conseguiu fechar seu orçamento e fracassam as negociações com a Petrobras para a estatal entrar como parceira dos Jogos. Os organizadores ainda estão em busca de R$ 250 milhões para conseguir pagar pelos serviços e pelo evento. A boa notícia, porém, veio da arrecadação dos ingressos, que atingiu 96% da meta, ajudando a aliviar parte do orçamento.

Neste sábado, o COI e o Comitê Rio 2016 tiveram sua última reunião para examinar a preparação do evento. A ordem do presidente do COI, Thomas Bach, foi apenas uma em relação às obras e serviços: "entregar, entregar e entregar". "O presidente disse que agora é o momento de se concentrar em entrega", explicou Mark Adams, seu porta-voz. Já Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil e do Comitê Rio 2016, deu garantias de que os problemas da Vila dos Atletas foram superados.

Quanto à questão orçamentária, porém, a ordem é de silêncio e não comentar a crise. Questionado pelo Estado se o orçamento terminaria equilibrado, Adams se recusou a responder: "estamos confiantes de que o Rio entregará o evento".

Nos últimos meses, a recessão e as vendas de ingressos abaixo do esperado no início do ano fizeram com que o Comitê Rio 2016 enfrentasse sérios problemas de caixa. Mas, sem a possibilidade de cortar mais serviços e pressionada por delegações estrangeiras, o optou por buscar alternativas, oferecendo a estatais que patrocinassem parcelas do evento.

Uma das opções do comitê foi a de buscar a Petrobras. A ideia era de que a estatal fornecesse a gasolina para os 4 mil carros da organização. Só o combustível poderia custar mais de R$ 70 milhões. Mas a negociação não avançou. Segundo membros do comitê, um dos obstáculos foi "governança". Questionado pela reportagem do Estado sobre os motivos da falta de acordo, Nuzman, apenas respondeu: "não sei".

Outra opção que já tinha fracassado era o envolvimento do governo para bancar a festa de abertura. Sem poder mexer no programa, colocar cartazes ou fazer publicidade, o plano também foi abandonado. Segundo fontes envolvidas na negociação, quem poderia entrar num esquema de patrocínio seria a Embratur. O acordo deve ser fechado nos próximos dias, aliviando os organizadores de certos custos.

INGRESSOS

Durante a reunião, Nuzman indicou que 80% dos ingressos para os Jogos foram vendidos, atingindo uma meta de 96% da renda esperada. A taxa, segundo membros do comitê, começa a ser considerada como "confortável". A lentidão inicial na venda havia preocupado o COI. Bach agradeceu os trabalhos dos últimos sete anos e indicou "empolgação" em relação ao "espírito carioca".

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Abastecimento de energia preocupa organizadores para o Rio-2016

Membros do COI não escondem preocupação com o tema em reunião

Jamil Chade - Enviado especial ao Rio, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2016 | 05h00

A falta de recursos afetou uma das áreas mais importantes dos Jogos: o abastecimento de energia. Neste sábado, nos corredores da reunião do COI, membros não escondiam a preocupação.

Nos eventos-teste, o COI e as diversas federações internacionais se queixaram de problemas com o abastecimento de energia e da falta de um plano B, caso existam problemas. O que mais preocupa é que, se cada evento-teste ocorreu de forma isolada, agora as competições serão realizadas ao mesmo tempo. Ching Kuo Wu, um dos membros do Comitê Executivo do COI, confirmou a existência da preocupação.

Nos últimos meses, a concessionária Light recebeu isenções de cerca de R$ 85 milhões como forma de garantir uma ajuda para o abastecimento de energia nos Jogos. A empresa ainda indicou que vai querer implementar uma revisão das tarifas no futuro para compensar os investimentos com a Olimpíada.

Quem também tem cobrado uma resposta são as televisões estrangeiras, temerosas de que um apagão signifique o corte do sinal e, portanto, perdas milionárias com patrocinadores. "Se isso falhar, é uma questão global", disse François Carrard, membro do COI.

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