Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Rio aposta na eficiência dos projetos para os Jogos Olímpicos

Sedes das partidas de handebol e das disputas de natação vão se transformar após 2016, virando escolas e centros de treinamento

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2015 | 07h02

O Rio de Janeiro abriu mão do luxo na construção das instalações para a Olimpíada, mas sem diminuir a excelência esportiva. Se nos Jogos de Pequim arenas como o Cubo D’Água ou o Ninho de Pássaro marcaram a competição do ponto de vista arquitetônico, na primeira edição realizada na América do Sul o tom será o da eficiência.

“Nos Jogos Rio 2016, o mais emblemático será a transformação da cidade. Desde o início do projeto olímpico, o objetivo da prefeitura do Rio é fazer os Jogos de forma eficiente, mas também simples e econômica, deixando um legado tangível para a cidade e seus moradores. Portanto, as instalações terão padrão de excelência para a prática esportiva, porém sem luxos ou excessos”, revela Roberto Ainbinder, diretor de projetos da Empresa Olímpica Municipal (EOM).

Quando começou a desenvolver o projeto olímpico, a prefeitura carioca avaliou cada equipamento e pensou em como ele iria funcionar depois do evento. “O desenvolvimento do conceito de arquitetura nômade reforça o princípio adotado pela prefeitura de que os Jogos Olímpicos devem servir à cidade, evitando a construção de instalações esportivas que seriam pouco utilizadas e potencializando o legado dos Jogos”, conta.

O conceito de arquitetura nômade norteou a construção de algumas instalações esportivas, tendo como princípio a relação de custo-benefício da arena. Isso foi pensado não apenas para o momento de levantar a obra, mas também com a manutenção que cada local precisa ter no futuro. A ideia era manter apenas as arenas que tivessem um uso efetivo após os Jogos.

A maior preocupação dos organizadores era evitar o chamado elefante branco, ou seja, uma instalação que tivesse uso em 2016, mas depois ficasse ociosa. Os exemplos mais emblemáticos são a Arena do Futuro, que vai virar quatro escolas depois dos Jogos, e o Estádio Aquático, que se transformará em dois centros de treinamento com piscinas.

“Após as competições, a Arena do Futuro será desmontada e transformada em quatro escolas municipais. Para que isso seja possível, a construção foi totalmente executada de acordo com a utilização após 2016. As especificações foram determinadas desde o processo de escolha da empresa responsável pelo desenvolvimento dos projetos”, explica.

Para se ter uma ideia, as rampas e escadas pré-moldadas da arena serão reaproveitadas nos acessos e áreas de circulação das escolas. A estrutura do telhado é composta por vigas metálicas e telhas com tamanho padronizado, para a reutilização nos telhados das escolas. Ele diz ainda que houve padronização das dimensões dos painéis de fechamentos internos e fachadas da arena.

Já o Estádio Aquático também será desmontado. As piscinas de aquecimento e competição, além de partes da arquibancada, serão utilizadas para construir dois centros de treinamento de esportes aquáticos. “Três escolas ficarão na região da Barra da Tijuca/Jacarepaguá.  A localização da quarta escola está sendo definida, mesma situação das piscinas do Estádio”, afirma Ainbinder.

Os locais onde estarão a Arena do Futuro e o Estádio Aquático nos Jogos vão se tornar lotes privados para uma grande área residencial que será construída no Parque Olímpico da Barra. “Após 2016, o Rio de Janeiro será uma cidade bem diferente daquela que ganhou o direito de receber os Jogos Olímpicos em 2009. Mais do que realizar obras e organizar o evento em si, a prefeitura utilizou o evento para tornar o Rio um lugar melhor para seus moradores e visitantes, com mudanças nas áreas de transporte, infraestrutura urbana, meio ambiente e desenvolvimento social. É muito gratificante ver que esse legado já existe”, conclui Aibinder.

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