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Rio quer 'zerar' criminosos em hospitais até os Jogos Olímpicos

Regaste de traficante em Hospital Municipal alertou autoridades

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2016 | 18h01

O resgate de um traficante em junho do Hospital Municipal Souza Aguiar, referência para atendimento na Olimpíada, alertou as autoridades. A Secretaria Municipal de Saúde anunciou ontem que pretende “zerar” até o fim da semana a internação de criminosos nos hospitais listados para o atendimento de emergência durante a competição.

Em 19 de junho, Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, de 28 anos, foi resgatado por 25 criminosos armados. No tiroteiro, um paciente morreu. Havia outros 55 pacientes internados sob custódia policial na rede pública. “Menos da metade” ainda aguarda transferência, informou o secretário estadual Luiz Antônio Teixeira Júnior.

Será ainda publicada a resolução que estabelecerá os procedimentos para atendimento de custodiados em hospitais públicos. A ideia é que sejam transferidos para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Complexo Penitenciário de Gericinó ou para o Hospital Penitenciário. Teixeira Júnior disse que o ingresso de criminosos feridos na rede pública ocorre diariamente, mas que a segurança estará reforçada nos hospitais durante a Olimpíada.

A previsão é de que 22 mil pessoas recebam atendimento médico nas instalações olímpicas durante os Jogos de 5 a 21 de agosto. Cerca de 700 delas deverão ser removidas. O Rio terá 235 leitos reservados para o atendimento de ocorrências ligadas à Olimpíada - 135 nos hospitais federais, 50 nos municipais e 50 nos estaduais. O Souza Aguiar terá sala para o atendimento simultâneo de 50 pacientes vítimas de trauma. Toda essa operação será monitorada do Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (Ciocs), que estará ligado ao Ministério da Saúde e às cinco capitais sede do futebol.

Teixeira Júnior afirmou que o repasse de R$ 2,9 bilhões do governo federal ao Rio permitiu remanejar R$ 230 milhões à saúde. Os recursos serviram para quitar dívidas com fornecedores. Ainda assim, o atendimento de UPAs administradas por organizações sociais (OSs) está prejudicado.

“Havíamos repactuado o pagamento de dívidas, mas no mês passado não foi possível fazer o pagamento integral para as OSs. A opção foi fazer o pagamento dos funcionários”, afirmou o secretário.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, lançou o aplicativo Guardiões da Saúde, ferramenta de identificação de possíveis surtos antes mesmo que as pessoas procurem unidades de saúde. O usuário poderá declarar os sintomas como febre, dores, sangramento, manchas no corpo. O aplicativo aponta a unidade de saúde mais próxima. A partir desses dados, o ministério mapeara as ocorrências das doenças. O aplicativo está disponível para Android e IOS, em sete línguas diferentes.

Ele reafirmou que os visitantes não estarão sob risco de contrair zika. “Há 60 países que têm zika, com um bilhão e meio de pessoas expostas ao vírus. De todas as viagens que acontecerão para países com zika, só 0,25%  serão para o Rio. Não é aqui o foco de proliferação da zika. A probabilidade de uma pessoa pegar zika no período dos Jogos é menos de uma em 500 mil”, afirmou o ministro.

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