Rivais se dividem entre o entusiasmo e o pessimismo

França quer surpreender; alemães não possuem astros individuais

Andrei Netto / PARIS, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2016 | 07h00

Potência das piscinas, com Florent Manaudou, Camille Lacourt, Fabien Gilot ou Yannick Agnel, das quadras de handebol ou dos tatames, onde reina Teddy Riner, a França prepara surpresas para os Jogos Olímpicos. Menos conhecidos do grande público, atletas de modalidades coletivas, como o vôlei, ou de esportes individuais, como a vela, o ciclismo, o boxe e a esgrima, podem surpreender no Rio.

Sétima colocada no quadro de medalhas de Londres, em 2012, a França espera organizar a Olimpíada de 2024, em Paris, e por isso um novo projeto de desenvolvimento esportivo começa a ser elaborado, em paralelo ao projeto de infraestrutura. Fruto de organização de federações esportivas, algumas modalidades começam a subir na escala de favoritismo. É o caso da equipe de vôlei da França, que no ano passado bateu a Sérvia por 3 sets a 0 e conquistou no Rio seu primeiro título da Liga Mundial. Detalhe: para chegar ao título, passou pelo Brasil.

Mas para confirmar a posição de uma das favoritas ao ouro, a equipe terá de superar um obstáculo. Dia 10, o time perdeu a oportunidade de confirmar a vaga direta aos Jogos ao perder para a Rússia em Berlim. “Nós já sonhávamos com o Rio. Agora vamos digerir a derrota e nos motivar para o próximo torneio”, afirmou o técnico Laurent Tillie. A classificação pode vir no final de maio, em Tóquio.

Se no vôlei a França ainda sonha em repetir o sucesso que tem no handebol, em esportes individuais há caras novas entre os favoritos. É o caso de Charline Picon, Billy Besson, Marie Riou e Julien Bontemps, na vela – a federação espera três medalhas –, e da campeã mundial Pauline Ferrand-Prevot no mountain bike e ciclismo de estrada. Na canoagem, o campeão Tony Estanguet abandonou os remos, mas Boris Neveu, campeão mundial e europeu, sonha em tomar o seu lugar no Rio. No boxe, uma esperança é Estelle Mossely, finalista dos Jogos Europeus e medalha de prata nos leves, quando perdeu para a irlandesa Katie Taylor, multicampeã mundial.

Na natação, a França não dará trabalho só nas piscinas. Nas águas abertas, Aurélie Muller chega com pinta de favorita depois de sua performance em Kazan, na Rússia, quando ela se tornou campeã mundial dos 10 km. Outro que chega forte é Gauthier Grumier, que defende a tradição na esgrima. Bicampeão da Europa em junho passado, e vice mundial no mês seguinte, ele tenta superar a prata, que viveu como fracasso na final do Mundial de Moscou.

Negativo. Concorrente direta da França em Londres, a Alemanha ficou com o sexto lugar, com o mesmo número de medalhas de ouro, 11, mas mais de prata e bronze. Quatro anos depois, vê com pessimismo a participação de seus atletas no Rio. Em parte, a visão negativa vem do desempenho dos atletas na última Olimpíada. Em 1996, Atlanta, os alemães conquistaram 20 medalhas de ouro, de um total de 65, alcançando o terceiro lugar. Vinte anos depois, se chegar às mesmas 44 medalhas de Londres já será um mérito.

O pessimismo acontece porque a Alemanha pena em encontrar astros nos esportes individuais. Alguns dos considerados favoritos são Fabien Hambüchen, campeão europeu de ginástica, Paul Biedermann, medalha de bronze nos 200 metros livre na natação, o ciclista Tony Martin ou o lançador de disco Robert Harting. Mas esses casos são vistos como raras exceções pela imprensa alemã. Federações de esportes como boxe, esgrima e natação estão perdendo cada vez mais espaço nas competições.

O pessimismo também se reproduz nos esportes coletivos. Várias equipes ainda buscam qualificação, sem animar muito – claro, com exceção do futebol. Uma exceção é a equipe de handebol, uma das melhores do mundo.

Outra é o time de hóquei, já classificado para o Rio, e, evidentemente, a nationalmannschaft, que volta ao Brasil com esperança de medalhas. Mas, em geral, as expectativas são tímidas. Ministro federal do Interior, Thomas de Maizière já deu declarações esperando que os atletas alemães pelo menos repitam 2012 – longe da esperança de subir ao pódio das nações nos jogos de 2016.

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