Rodrigo Pessoa vê sintonia com Rufus para ir ao pódio

'Não estou indo só para participar da minha quinta Olimpíada; isso para mim não muda nada', afirma o atleta

TATIANA RAMIL, REUTERS

10 de julho de 2008 | 19h12

Após 10 anos competindo com Baloubet, Rodrigo Pessoa vive uma "fase nova". A menos de um mês dos Jogos de Pequim, o atual campeão olímpico ainda tenta a sintonia perfeita montando Rufus, mas vê chance de medalha. Por equipes, o Brasil consegue, no máximo, um bronze, segundo o cavaleiro. "Não estou indo só para participar da minha quinta Olimpíada. Isso para mim não muda nada", disse Rodrigo. "Estou indo porque acho que meu cavalo tem capacidade técnica de ir bem, de ajudar primeiro a equipe a fazer um bom resultado e depois tentar conseguir algo individualmente. Se não, não iria." Em Atenas-2004, Rodrigo Pessoa levou a medalha de ouro com Baloubet du Rouet, seu companheiro de uma década e apontado pelos especialistas como o "Pelé do hipismo", segundo o pai de Rodrigo e técnico da equipe brasileira, Nelson Pessoa. Com a aposentadoria de Baloubet, o brasileiro monta Rufus, um cavalo de origem holandesa e atualmente com 10 anos. "Ainda tenho que acertar algumas coisas, a parte de condução não está 100 por cento, mas acredito que podemos resolver estes problemas daqui para lá e ter um desempenho bom. É um cavalo de ótima qualidade, com grande potencial", afirmou. Rodrigo não se sente pressionado a conseguir um bom resultado por ser o atual medalhista de ouro. Pelo contrário, ele diz estar "tranquilo" e que "o mais importante é o cavalo chegar em uma forma boa para a Olimpíada". "CLIMA BRUTAL" A competição de hipismo na Olimpíada, que começa em 8 de agosto, será disputada em Hong Kong, onde os animais devem sofrer muito com o clima quente e úmido. Por isso, a equipe brasileira fará uma preparação específica para essas condições. Durante a quarentena, os cavalos realizarão trabalhos com intervalos de três minutos, com três minutos muito fortes e outros três de descanso, para dar fôlego e para que cheguem com o peso mínimo. Na China, os cavalos ficarão em um ar refrescado e a hidratação é essencial, explicou o cavaleiro. "O clima vai ser brutal para os cavalos, 100 por cento de umidade, muito, muito quente. Pode haver mudanças de resultados por causa do clima. Quem estiver melhor preparado, vai conseguir o resultado. Dessa vez a preparação vai contar muito", declarou Rodrigo, que mora na Bélgica e vem ao Brasil cerca de duas vezes ao ano. Para o brasileiro, o fato de o hipismo ser disputado em Hong Kong vai tirar dos cavaleiros a emoção de viver uma Olimpíada. "É claro que a Olimpíada sempre tem um algo a mais, mas para nós é uma competição normal porque não vamos estar naquele bochicho olímpico, estaremos a 3 mil quilômetros, em Hong Kong... serão os mesmos cavaleiros, as mesmas caras de todas as semanas, não muda nada." FORMAÇÃO DA EQUIPE Medalhista de bronze em Atlanta-1996 e Sydney-2000, a equipe brasileira de saltos pode igualar essa marca, de acordo com Rodrigo Pessoa. "Acho que a equipe tem uma chance real, se a gente tiver num dia bom, de conseguir um terceiro lugar. Mais do que isso seria muita pretensão. Sou uma pessoa realista e, vendo as outras equipes em volta, o terceiro lugar é realista." Os nomes dos quatro conjuntos que representarão o Brasil serão anunciados no próximo dia 21, mas Rodrigo, Bernardo Rezende Alves e Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, estão garantidos. O quatro integrante pode ser Pedro Veniss ou Camila Mazza de Benedicto, disse Rodrigo. "O cavalo do Pedro é a única dúvida porque ele tem uns probleminhas de saúde e vai fazer um teste na semana que vem para ver se está bem", disse. "Alguns conjuntos tem apresentado bons resultados como a Camila. O conjunto dela está parecendo ser o mais adequado para esta viagem. O cavalo dela (Bonito Z) tem boas possibilidades, é potente, tem muita força."

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