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Rogério Sampaio e a luta com um 'escudo' na Olimpíada

Judoca recorda o dia em que foi blindado do encontro com os jornalistas

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Alessandro da Mata, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2016 | 05h02

O que lhe põe mais medo: um ippon ou conceder uma entrevista? Para Rogério Sampaio, tudo depende da preparação e do momento. Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, na Espanha, em 1992, a novidade para ele não era o "golpe perfeito" do judô, mas sim como encaixar as melhores frases diante dos microfones. 

"Eu fui ao refeitório, duas a três horas após uma competição (luta). Quando eu saí, havia muitos jornalistas na porta. Então o Paulo Wanderlei, atual presidente da Confederação Brasileira de Judô, que era meu técnico, atendeu os jornalistas. Aquilo me deu uma tranquilidade tremenda. É como se eu tivesse sido blindado para a sequência dos Jogos. Um atleta olímpico tem muitas alegrias, mas muita pressão também", conta o judoca aposentado e atual secretario da Autoridade Brasileira de Controle de Doping (ABCD).

Até aquela ocasião, Rogério Sampaio era praticamente um desconhecido, embora bicampeão juvenil do Pan-Americano. Ele perdeu a vaga para o irmão Ricardo, na Olimpíada de Seul, na Coreia, em 1988. Mas acompanhou com muito interesse o amigo Aurélio Miguel ganhar o ouro nos Jogos, na categoria meio-pesado.

Na Olimpíada seguinte, o judoca esteve presente. Como se fosse um amador, ele pegou o quimono emprestado de um amigo. Mas tudo mudou de forma dinâmica: em cinco lutas, superou o campeão pan-americano e o campeão mundial, entre outros. Ganhou a medalha de ouro na categoria até 65 kg. Pronto. Holofotes da mídia voltados para o santista. E depois, portas abertas para a atuação como gestor esportivo.

"Lembro de muitos detalhes, dos períodos de descanso para os combates e até da vibração na final. Como campeão, lembro quando tocou o hino nacional. Recebi a medalha do primeiro campeão olímpico do judô da história (não japonês), o holandês Anton Geesink. Foi inesquecível", frisa Rogério Sampaio. 

Por ter participado apenas uma vez da Olimpíada, e ter sido campeão, o judoca aposentado lembra com muito carinho e orgulho dos cerca de dez dias em Barcelona. As lutas de judô costumam estar entre as primeiras a começar e terminar nos Jogos. Isso facilita o assédio da imprensa, mas ele já nem se intimida mais com as perguntas.

"Foi uma experiência rica. Desde a festa de abertura, compondo a delegação, até o acendimento da pira. A Vila Olímpica. Lembro do esforço que foi para ficar nos 65 kg", comenta Rogério Sampaio. 

De mais de uma década para cá, a habilidade com as palavras lhe auxiliou em funções administrativas do esporte, em Santos e em São Paulo. Ele concorda que o cargo na ABCD, às vésperas dos Jogos do Rio, corresponde ao seu maior desafio.

"Sim, é isso mesmo, pelo tempo pequeno que temos (menos de 30 dias). É uma grande alegria contribuir com o País nesse momento. Acredito estar preparado. Temos que fazer que o laboratório brasileiro seja habilitado", destaca Rogério Sampaio.

Sobre as chances de medalhistas no Rio, o judoca aposentado é direto: "Acho a equipe atual brasileira bem experimentada. Dá para trazer mais de um ouro".

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