Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Romance na linha de tiro: casal divide quarto na Vila Olímpica

Rosane Ewald e Felipe Wu fazem parte da equipe brasileira de carabina e pistola nos Jogos Olímpicos

Demétrio Vecchioli, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2016 | 05h00

Rosane Ewald, 42 anos, entrou no seu quarto na Vila dos Atletas na quarta-feira, viu duas camas de solteiro e não teve dúvidas. Puxou a dela para o lado da do namorado, o também atirador Felipe Wu, 24 anos. Os dois juram que foi apenas uma questão de logística o fato de eles dividirem o mesmo quarto. Rosane é a única mulher na equipe brasileira de carabina e pistola nos Jogos Olímpicos do Rio.

Assim como duas camas viraram uma só, de casal, Rosane e Felipe estarão unidos no dia 6 de agosto, decisivo para a história esportiva dos dois. Menos de 18 horas depois da cerimônia de abertura, os dois já terão competido em Deodoro. Primeiro ela, como zebra. Depois ele, na condição de favorito ao pódio.

 A prova de Rosane, a carabina 10 metros, será a primeira do dia no Rio. Começa às 8h30, cedo demais para que Felipe a acompanhe in loco. “Não vou estar lá mais pelo desgaste físico. A hora que eu acordar, vou olhar na internet e ver o que aconteceu”, planeja. Ou seja, irá dormir acompanhado e acordará sozinho, com a namorada disputando uma Olimpíada.

O foco de Felipe estará na sua prova. A pistola de ar 10m começa às 13h, duas horas depois do horário previsto para a final da competição da namorada.

Aconteça o que acontecer, ela estará lá para torcer pelo namorado. “Isso já aconteceu outras vezes, estamos acostumados”, diz ele.

Em uma Olimpíada, porém, será a primeira vez. Os dois são estreantes - Felipe já tem no currículo a prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2010, em Cingapura. “Daquela vez foi meio por acaso, agora não é mais nada por acaso. Estou me matando por isso há muito tempo”, diz.

Os dois entraram na Vila dos Atletas na quarta-feira e não cansam de repetir que querem aproveitar o momento, lembrando que uma oportunidade dessas é raríssima. Ela garante que agora não é o momento de “namorar”, uma vez que o foco da dupla está exclusivamente na competição. Os próximos treinos servirão só para manter a mão calibrada e a mente concentrada. “Nada vai melhorar agora. O que tinha que ser feito já foi feito”, conta Felipe. 

OPOSTOS

Líder do ranking mundial, Felipe vive grande fase e disputará a Olimpíada como um dos favoritos à medalha de ouro. Rosane só está nos Jogos graças ao convite destinado ao país-sede. Ela ocupa a 97.ª posição do ranking e, por isso, não é cotada ao pódio.

Ainda que em situações opostas, eles podem convergir no discurso: ninguém ganha antecipadamente, nem perde antes de competir. “Esporte é um jogo, não é uma conta matemática. Eu comecei o ano como 50º do ranking e passei para primeiro. Na Olimpíada é uma chance só”, diz Felipe. “Já aconteceu de um campeão olímpico atirar no alvo errado durante uma final. Tudo pode acontecer”, completa Rosane.

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