Ronaldinho e Dunga pedem valorização da medalha de bronze

Eles elogiam união do grupo na Olimpíada e apontam problemas de escalação e falta de treinos como problemas

Almir Leite, Enviado Especial - O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2008 | 11h18

Você não gostou da medalha de bronze que a seleção brasileira de futebol masculino conquistou nesta sexta-feira ao bater a Bélgica por 3 a 0? Pois não deveria pensar assim. É o que diz o técnico Dunga e o meia-atacante Ronaldinho Gaúcho ao avaliar o time nesta Olimpíada de Pequim. Eles ressaltam bastante a medalha pensando no futuro.Veja também: Brasil ganha da Bélgica - 3 a 0 - e fica com bronze no futebolA campanha brasileira na Olimpíada de Pequim"A gente não valoriza muito, mas daqui a 20 anos a gente vai se lembrar disso e gostar. Essa conquista [medalha de bronze] é muito gratificante. Tem atleta que não gostou, mas foi importante para o Brasil. O espírito olímpico é isso aí. Tudo vale não só pela medalha de bronze, mas pelo grupo, que em nenhum momento vacilou, a gente vai para casa feliz por isso", disse Ronaldinho, na saída do campo."Claro que o objetivo era o ouro, o que infelizmente não aconteceu, e ficamos tristes por não ter conseguido. Mas todo desportista vem para uma Olimpíada em busca de uma medalha, e nós conseguimos a de bronze. Tenho orgulho e vou guardá-la com carinho" afirmou Diego, um dos mais experientes do grupo. "Era uma questão de honra ganhar essa medalha. A seleção sai das Olimpíadas de cabeça erguida"."Não podemos esquecer que esta é a quarta vez que o Brasil ganha medalha. Foi válida sim porque tivemos apenas 14 dias de treino antes da estréia, os jogadores ficaram 30 dias sem folga, e todos tiveram caráter, dignidade e conduta", afirmou Dunga, na entrevista coletiva, falando dos problemas.Essa lista não pára por aí. "O pior que tive foi a falta de tempo entre os jogos para treinar e corrigir algumas coisas. Além disso, não tinha certeza se podia escalar ou não os jogadores. Falava três horas antes do jogo com dirigentes para saber quem poderia escalar [se referindo a Rafinha e Diego, pelo problema dos times alemães com a liberação e a Fifa]. Outra dificuldade foi o problema da camisa, uma hora podia jogar com o escudo da CBF, outra não podia. Isso incomodou", contou.Mesmo sem saber de seu futuro na seleção brasileira - Dunga está ameaçado de demissão pelo insucesso olímpico e pelos últimos resultados no time principal - o técnico fez questão de dizer que os jogadores são competentes e merecem chance nos próximos jogos. "Sem dúvida os jogadores mostraram que tem potencial para chegar à seleção principal, nos momentos mais difíceis não desanimaram". Mas não deu nomes.O grupo de jogadores sai de Xangai na manhã deste sábado (noite de sexta no Brasil) rumo a Pequim para a cerimônia de entrega das medalhas, que acontece após a final entre Argentina e Nigéria, no Estádio Ninho de Pássaro. Depois, o grupo se desfaz e boa parte dos jogadores ficará na Europa. O time olímpico só deve voltar a se reunir perto da próxima edição dos Jogos, em Londres 2012.

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