Tiago Queiroz|Estadão
Tiago Queiroz|Estadão

Rose empurrará Thiago Pereira na piscina aos gritos coletivos

Mãe traça estratégia na torcida para os Jogos Olímpicos

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 07h00

O grito 'vai, Thiago' de Rose Vilela, uma vez solitário na arquibancada, vai virar coro no Estádio Aquático nos Jogos Olímpicos do Rio. A torcida da mãe do nadador Thiago Pereira tem ritmo, energia e emoção. É até difícil saber quem fica mais cansado ao fim da prova. A dor muscular de Rose vem acompanhada de orgulho e de boas lembranças. 

Aos 13 anos, Thiago saiu de Volta Redonda para sua primeira competição longe de casa. Antes de cair na piscina, chamou a mãe e, com um choro discreto, disse que queria desistir. Rose deixou a decisão nas mãos do jovem, que acabou enfrentando o desafio. "Se naquele primeiro desafio eu tivesse dito para ele nadar, talvez eu já o tivesse perdido. Eu nunca tive uma tabela de índice na mão, nem um cronômetro. Essa não era minha função", afirma. 

O papel hoje é ser guardiã das 724 medalhas de Thiago. A única que fica longe de sua tutela é a prata dos 400 metros medley conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres. Rose teve de se contentar com uma réplica, que ganhou de presente de Natal, em 2012.

Protetora, a mãe admite que foi difícil ver o adolescente sair de casa. Aos 16 anos, Thiago Pereira passou a integrar a equipe do Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte. "A gente saiu com o carro e eu fiquei olhando pelo retrovisor. Ele só tinha de atravessar a rua para treinar. Se olhasse para trás, ia levá-lo de volta para casa. Ele não olhou", conta.

Thiago passou a viver em uma república, com colegas mais velhos. Sem disponibilidade para ir com frequência à capital mineira, Rose ficava bastante preocupada com o filho e teve o auxílio dos psicólogos do clube para acalmar os ânimos. "Eu ficava meio desesperada, ligava sempre para as psicólogas do Minas, tive muita gente me ajudando", explica. 

Com o passar do tempo, aprendeu a conviver com a saudade e, apesar da distância, continua sendo um ombro amigo para o filho. "Meu trintão é um menino", brinca. Rose acredita que, quando se deu conta, ele já era "do mundo". Para os Jogos Olímpicos do Rio, a confiança é inabalável. Ao comparar o filho aos principais rivais - Michael Phelps, Ryan Lochte e László Cseh - ela não titubeia: "O Thiago nada mais bonito". E garante: "Não é olhar de mãe."

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