Gabriela Biló/Estadão
Jogadoras da seleção brasileira feminina de rúgbi posam para foto Gabriela Biló/Estadão

RÚGBI APOSTA EM EXECUTIVO ARGENTINO PARA SER CEO DA CBRU

De olho na oportunidade que a Olimpíada no Brasil oferece, confederação contrata profissional do país vizinho para disseminar o esporte por aqui

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 17h33

Em vez de cartola, a CBRu (Confederação Brasileira de Rúgbi) optou por um 'engravatado'. Agustin Danza é argentino, foi alto executivo da Bain & Company por oito anos, mas largou seu emprego promissor na área de consultoria estratégica para ser CEO do Rúgbi no Brasil. "Não tenho dúvida de que tomei a decisão certa, pois a modalidade vai crescer muito no País", garante o ex-jogador, que atuou por mais de 20 anos em clubes da Argentina e dos Estados Unidos.

Claro que a mudança teve um grande impacto em seus companheiros de trabalho. "Quando saí da empresa, onde tinha uma carreira bem-sucedida, meus colegas falaram que eu estava completamente louco e perguntavam como eu iria inserir o rúgbi em um país que não tinha rúgbi. Claro que não era isso. Me informei muito bem, sabia que o Brasil tinha 60 mil praticantes, sendo 10 mil cadastrados, que o feminino era top 10 mundial. Acredito que o Brasil tem um potencial enorme", avisa, lembrando que seus amigos do rúgbi o incentivaram e disseram que gostariam de estar no lugar dele.

A presença de um CEO em uma confederação esportiva é algo inédito no Brasil. As entidades costumam contar com dirigentes que fizeram carreira naquela modalidade e que geralmente estão há muitos anos no poder. Mas a CBRu optou por outra linha de gestão. "O CEO é a figura mais tradicional de qualquer companhia, privada ou pública. Em 2010 a CBRu adotou um modelo de gestão profissional, onde se adotaram regras de transparência como de uma empresa pública", conta.

Danza lembra que a CBRu tem uma gestão profissional, com regras de governança equivalentes a qualquer companhia, com um conselho de administração, com comitês que interagem com a gestão, transparência total dos números e apresentação de balanços. "Nesse modelo, faltava o CEO. Sou profissional e remunerado pelo que eu faço, minha função é pensar a médio e longo prazo quais são as principais iniciativas onde a CBRu tem de focar seus esforços. É uma pessoa que tem uma visão geral, que entende a força e as fraquezas de cada área, entende a situação atual do esporte e sabe onde quer chegar", continua.

Assim que assumiu, o profissional usou os três primeiros meses para fazer um diagnóstico da situação atual e como resultado realizou várias mudanças na equipe da CBRu. Entraram técnicos da Argentina, Irlanda e França, além de pessoas especializadas em algumas funções. O passo seguinte foi fazer um planejamento estratégico para os próximos quatro anos, que já está sendo implementado. "Acreditamos que isso vai manter a velocidade de crescimento do rúgbi no Brasil."

Essas melhorias se refletem também nas finanças de CBRu, que conta com 15 patrocinadores e oito parceiros. "Em 2010 o orçamento era de R$ 900 mil. Atualmente é de R$ 20 milhões. A estrutura também foi crescendo do mesmo jeito", afirma Danza, que é cobrado por resultados. "Sou responsável por todas as áreas: alto rendimento, gestão, finanças, marketing, desenvolvimento, e também sou cobrado pela quantidade de crianças que jogam rúgbi."

Ele sabe que corre contra o tempo para ter suas seleções competitivas nos Jogos do Rio, e espera que as duas equipes façam um bom papel. "As meninas vêm demonstrando que podem jogar de igual para igual com times colocados entre a 5.ª e 10.ª posição do mundo. Tem uma elite que está acima de todas as outras, que é a Nova Zelândia, Austrália, Rússia e Canadá. Já o masculino tem evoluído bastante e vai dar trabalho. Se o rival não entrar concentrado, vamos vencer", aposta.

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'Estrangeiras' mudam de vida para tentar representar o Brasil

Duas atletas do rúgbi, uma canadense e uma norte-americana, têm dupla cidadania e já estão integradas ao grupo da seleção feminina

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 16h59

A seleção feminina de rúgbi tem dois reforços que vieram do exterior, as jogadoras Isadora Cerullo, a Izzy, e Katrina Santilly. As duas largaram bons empregos em seus países e atenderam a um chamado da CBRu porque possuem dupla cidadania. O mesmo projeto foi feito no masculino e já está rendendo bons frutos, com atletas se destacando na seleção.

Izzy, de 23 anos, trabalhava com pesquisas na área de cirurgia do hospital da Universidade da Pensilvânia. Mas praticava o esporte desde pequena e, ao saber do interesse da entidade, largou tudo e partiu para o Brasil. "Meus pais ficaram bem nervosos, pois estava estudando e ainda pretende ser médica", explica a filha de brasileiros.

Já Katrina tem 28 anos e é canadense de Toronto. Ele é filha de uma brasileira com pai inglês e trabalhava com animação infantil para a televisão. "Decidi vir e estou ficando na casa de uma prima que tem a mesma idade que eu. É um apartamento pequeno, mas fui bem recebido no Brasil. As jogadoras são muito simpáticas e é fácil fazer parte do grupo. Foi uma grande mudança de vida", diz.

As duas atletas sabem que não têm presença garantida no grupo que disputará os Jogos Olímpicos, até pela forte concorrência na seleção. Mas ambas garantem que vão lutar até o último momento para disputar a competição. "Eu adoraria representar o Brasil na Olimpíada", afirma Katrina. Izzy completa. "Eu nunca pensei que poderia jogar profissionalmente. Agora sonho estar nos Jogos do Rio em 2016."

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Experiente jogadora de rúgbi fala das chances da seleção feminina

Em entrevista exclusiva, Beatriz Futuro, a Baby, conta sua trajetória e revela como está a preparação da equipe para os Jogos de 2016

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 17h16

Beatriz Futuro, a Baby, é uma das mais experientes jogadoras da seleção feminina de rúgbi. A garota de Niterói sonha com a disputa dos Jogos Olímpicos no Rio e, para realizar esse objetivo, voltou da Austrália, onde estava morando e praticando o esporte, para se juntar à equipe. Nesta entrevista exclusiva, ela fala um pouco de sua trajetória e conta como está a preparação da equipe para 2016.

Qual a sensação de ver o sucesso da seleção feminina de rúgbi?

É gratificante ver que tudo que a gente batalhou e ralou nos fez chegar em algum lugar. Valeu a pena e hoje podemos ter o sonho olímpico.

Como será ter uma Olimpíada na sua terra?

Eu sou do Rio e isso é muito especial, pois será em casa, perto dos meus pais, da minha família e do meu clube. Todos sonham junto com a gente. Será um momento único poder viver isso.

Como você vê as chances do Brasil nos Jogos Olímpicos?

Falta muito pouco tempo para a competição, será difícil, mas estamos dando nossos passos. Uma medalha é possível, apesar de não sermos favoritas. Vamos tentar jogar em alto nível, não prometemos o pódio, mas acredito nisso.

Você, junto com a Paulinha Ishibashi e a Julia Sardá, começou na modalidade há muitos anos, participa da seleção desde o início e até jogou na Austrália, que é uma potência. Acha que tem um pouco de mérito no desenvolvimento do esporte?

Com tudo que construímos em dez anos, acho que ajudamos a dar um empurrão. Entrar para o programa olímpico ajudou também, mas de dois anos para cá o rúgbi mudou bastante. É muito gratificante ver isso e acredito que vamos crescer enquanto tivermos crianças jogando.

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