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Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

WADA acusa Rússia de montar indústria para manipular resultados

País corre o risco de ficar de fora dos Jogos de 2016

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 11h49

O governo da Rússia promoveu uma indústria para manipular resultados no atletismo, subornando dirigentes, comprando resultados, criando laboratórios secretos e mesmo destruindo mais de 1,4 mil amostras de sangue de atletas antes que fossem examinados. 

As denúncias fazem parte de um informe da Agência Mundial Antidoping, que revela o maior escândalo do esporte. A entidade  recomendou que os atletas russos sejam suspensos de competições internacionais, inclusive dos Jogos do Rio, em 2016. Para os investigadores, o uso de substâncias proibidas é "consistente e sistemático". 

Em uma coletiva de imprensa em Genebra em poucos minutos, um comitê da Wada promete detalhar as descobertas. Mas dados apontam que os russos teriam pago milhões de dólares para evitar que seus atletas fossem banidos por doping e que teriam construído até mesmo um laboratório paralelo para onde as amostras seriam enviadas. Apenas aquelas que estivessem limpas seriam repassadas para os laboratórios oficiais e com controle internacional.

As descobertas prometem criar uma das maiores crises já vividas pelo esporte e coloca pressão sobre o COI para que suspenda a Rússia dos Jogos Olímpicos. 

Segundo o informe, a Federação Internacional de Atletismo "fracassou" em evitar os casos na Rússia e os investigadores recomendam que todos os laboratórios russos sejam desacreditados.

"A aceitação do doping em todos os níveis é generalizada", disse. Isso envolve atletas, médicos e dirigentes. "Atitudes não éticas se transformaram em lei", insistiu.

A WADA também alerta que a "busca por medalhas por ganhos financeiros é pronunciado". Os atletas que não aceitassem participar do "programa" russo seria excluído das equipes. 

Os investigadores insistem que muitos atletas se recusaram a participar do processo. Mas alertam que os diretores dos laboratórios de testes na Rússia eram quem forneciam as substâncias. A WADA ainda apontou que o governo russo "interferiu diretamente" nas operações dos laboratórios.

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