Hazem Gouda / AFP
Hazem Gouda / AFP

Sarah Gamal será a primeira mulher árabe e africana a apitar jogos de basquete 3x3 nas Olimpíadas

Vestindo seu hijab, véu preto que cobre a cabeça e o pescoço, ela estará presente nos Jogos de Tóquio-2020 para arbitrar partidas da modalidade estreante

AFP, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 12h10

A árbitra egípcia de basquete Sarah Gamal, de 32 anos, representará o mundo árabe e o continente africano nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. Vestindo seu hijab, véu preto da religião islâmica que cobre a cabeça e o pescoço, ela estará presente no evento para apitar partidas de uma modalidade estreante, o basquete três contra três. "Desde o início da minha experiência como árbitra, não ouvi um único comentário negativo nem encontrei obstáculos por causa do meu véu. Para mim, o véu é normal e não causa problemas", disse Gamal, em entrevista à AFP. 

Apesar de jovem, a egípcia carrega em sua bagagem experiência internacional. Ela já participou da Copa do Mundo Feminina Sub-17 de 2018, na Bielo-Rússia, e do Campeonato Africano Feminino de 2017. "O véu não afetou meu trabalho em nenhuma competição", enfatiza. Gamal iniciou sua carreira no basquete como jogadora. Vendo a irmã jogar, aos cinco anos ela se apaixonou pelo esporte. Aos 16, no entanto, decidiu trocar de função dentro das quadras. Ao invés de jogadora, seria árbitra por causa de sua "grande paixão por conhecer as regras a fundo". 

"Foi difícil, porque é um campo de estudo que exige muito esforço", diz. "Ser a primeira mulher árabe e africana a arbitrar três contra três nos Jogos Olímpicos é positivo. Não sinto nenhuma pressão e estou confiante de que isso abrirá o caminho para outros árbitros árabes e africanos", disse Gamal.

A família da jovem egípcia não está preocupada com a viagem ao Japão em meio a pandemia do novo coronavírus e, segundo Gamal, o "apoio entusiástico não diminuiu". "Minha família sempre me apoiou", diz. "É uma grande recompensa por todo suor e lágrimas dos últimos anos", acrescenta. 

Enquanto se prepara para os Jogos, a árbitra egípcia já pensa em outros desafios. "Quero ir às Copas do Mundo masculino e feminino e manter a confiança que as organizações internacionais depositaram em mim até agora". Antes de Gamal, a árbitra marroquina Chahinaz Boussetta era a única mulher que havia representado o mundo árabe nas Olimpíadas. Além de árbitra, Gamal trabalha como engenheira civil na cidade de Alexandria, na região norte do Egito. Ela não tem medo de abrir caminho por entre os jogadores de basquete. "Já apitei partidas entre homens com sucesso, é o que me deu a confiança do comitê de arbitragem egípcio", explica a jovem.

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