Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Sarah Menezes luta contra o 'efeito sanfona' na busca pelo bicampeonato olímpico

Após dieta, judoca precisa evitar lanchinhos e permanecer com até 48 kg

Nathalia Garcia, enviada especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2016 | 05h00

Enquanto muitas mulheres tentam evitar o “efeito sanfona” após uma dieta, a judoca Sarah Menezes teve que aprender a conviver com a oscilação de peso. Campeã olímpica na categoria ligeiro (até 48 kg), a atleta não tira o olho da balança, à medida que se aproxima a data de sua estreia na Olimpíada do Rio, no dia 6 de agosto.

“Sempre atingi o peso com facilidade. O diferencial é a paciência. Você tem que diminuir tudo. Come igual a um pintinho, um pouquinho todo dia, tem horário. Passando a pesagem, vai ser tudo tranquilo”, afirmou. 

Sarah admitiu que o estômago reclama até acostumar com a redução de calorias. O encontro diário com a balança é às 20 horas.

Nos Jogos do Rio, a pesagem ocorrerá na véspera da luta. Apesar da reidratação, o sacrifício das judocas não acaba no mesmo dia. Quando o relógio marca 45 minutos para o início dos embates, as atletas são novamente submetidas a um teste e não podem ultrapassar 5% do limite da categoria. Na segunda pesagem, um sorteio define quem subirá novamente na balança, deixando todas as participantes em alerta. 

A técnica Rosicleia Campos acompanha a batalha da judoca brasileira para manter o peso e explica que ela possui o acompanhamento rígido de uma nutricionista. “A bichinha é peso ligeiro, mas quer comer como peso pesado”, brincou. Sarah não pode nem pensar em imitar Maria Suelen Altheman, da categoria acima de 78 kg, que adora comer os lanchinhos da colega Rafaela Silva.

No entanto, Rosicleia mostrou compreensão diante da dificuldade de Sarah. “Ela tem que pesar 48 kg. Era menina e hoje tem corpão de mulher. Judô é um esporte de categoria. Não existe atleta que acorde e não olhe para a balança”, comentou. 

A busca pelo bicampeonato olímpico adiou a possibilidade de Sarah mudar de categoria, mas o tema será conversado depois dos Jogos do Rio. Enquanto isso, ela vive a regrada rotina da equipe brasileira em Mangaratiba, na região da Costa Verde do Rio. No resort, a judoca também tem um acompanhamento psicológico. Para Sarah, o vencedor será aquele que tiver um maior controle da ansiedade.

Ela aponta que o auxílio da tecnologia tem deixado as condições táticas muito semelhantes entre as competidoras. No quartel-general do judô no Rio, os brasileiros contam com uma equipe de análise de vídeo que já mapeou 99% dos judocas que estarão na Olimpíada. 

“Vai muito da cabeça do atleta. Quem tem mais coragem, reação rápida e procura arriscar vai conseguir passar pelos obstáculos. Quem tiver medo vai ser difícil”, projetou. E Sarah garantiu estar cada dia mais disposta a buscar a perfeição como judoca.

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