Wilton Junior/Estadao
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'Se houve alguma vítima, fomos todos nós', diz interventor da CBDA sobre crise

Gustavo Licks foi nomeado para o carga antes da operação Águas Claras, da Polícia Federal

Marcio Dolzan, Estadao Conteudo

17 de abril de 2017 | 19h38

Indicado pela Justiça para dirigir a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) até a realização de novas eleições, o interventor Gustavo Licks disse nesta segunda-feira que o desafio da entidade é realizar "um controle financeiro mais duro". O interventor evitou fazer comentários mais aprofundados sobre a Operação Águas Claras, da Polícia Federal, que no início do mês prendeu quatro dirigentes da CBDA por suspeita de desvios, mas afirmou que "se houve alguma vítima, fomos todos nós".

Gustavo Licks foi nomeado interventor da CBDA em março, antes mesmo da operação da PF, por decisão da 25.ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Sua função era dirigir a confederação até a realização de novas eleições - o mandato de Coaracy Nunes, um dos presos na Águas Claras, havia terminado -, mas o interventor acabou precisando lidar com questões mais urgentes.

Uma delas foi o anúncio dos Correios de que iria rescindir o contrato vigente com a CBDA, em virtude da suspeita de desvios que podem chegar a R$ 40 milhões. Na semana passada, Gustavo Licks foi a Brasília e se reuniu com a direção da estatal. No encontro, ele conseguiu evitar o rompimento imediato e ganhou prazo até o fim do mês que vem para apresentar um novo plano de gestão. "Acredito que vamos prolongar (o acordo). Vamos levantar as eventuais falhas. É uma parceira histórica, importante pra sociedade", afirmou.

O interventor considera a movimentação dos Correios dentro da normalidade. "A preocupação dos Correios é mais do que razoável. Eles querem saber para onde vão os recursos, a aplicação desses recursos", ponderou Gustavo Licks, em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira, no Rio. "Aqui há um investimento no esporte, à sociedade. Não é a fundo perdido".

Gustavo Licks voltará a Brasília nesta terça-feira, onde uma audiência pública irá tratar novamente do tema envolvendo a investigação na CBDA e o patrocínio estatal. Ele acredita que o encontro "será positivo" e que ajudará em novas diretrizes no comando da confederação. "Talvez seja preciso um controle financeiro mais duro, uma oxigenação maior nos próprios dirigentes", avaliou.

Coaracy Nunes foi presidente da entidade por 29 anos ininterruptos, consolidando-se como o mais longevo dirigente de confederação esportiva no País. Ao mesmo tempo em que tenta manter o contrato de patrocínio, Gustavo Licks trabalha para resolver sua demanda original: a convocação de novas eleições na CBDA. "Espero conseguir realizá-las em até três meses".

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