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Se tiver ouro nos Jogos do Rio, vai ter Haka da Nova Zelândia

Seleção feminina de rúgbi vai entrar em campo como favorita na Olimpíada e conta com duas atletas talentosas para brilhar

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2016 | 17h00

Nos Jogos do Rio a versão feminina dos All Blacks, a seleção de rúgbi da Nova Zelândia, é uma das favoritas ao título. Tem jogadoras talentosas e conta com aquela que é considerada a melhor do mundo na atualidade, Portia Woodman. Liderada pela capitã Sarah Goss, a equipe vai tentar brilhar na Olimpíada e, quem sabe, fazer o famoso ritual com a medalha de ouro no peito. “Se vencermos, vamos fazer o Haka”, diz Sarah.

Ela se refere à dança típica do povo maori, que é geralmente usada pelos jogadores da seleção masculina de rúgbi antes dos duelos. “Nós também fazemos o Haka, mas como no rúgbi sevens uma competição tem muitas partidas em pouco espaço de tempo só fazemos no final, se vencemos a competição”, explica.

Uma oportunidade para mostrar o Haka poderá ocorrer hoje, no último dia do Desafio BRA de Rugby Sevens, segunda etapa do Circuito Mundial da modalidade, que está sendo realizado na Arena Barueri (os ingressos para o torneio são gratuitos, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível). Além de Nova Zelândia e Brasil, estão no torneio Austrália, Canadá, Fiji, Irlanda, Rússia, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, França e Japão.

“O rúgbi está crescendo cada vez mais no feminino. Acho que fazer parte do programa olímpico ajudou bastante”, diz Sarah, que sabe que em seu país a versão masculina, com 15 jogadores em campo, é muito mais famosa e chama bem mais atenção. Tanto que os principais atletas são reconhecidos nas ruas como celebridades. “No feminino não é bem assim”, conta, rindo.

A capitã da equipe vem de uma família de agricultores da cidade de Manawatu, na Ilha Norte da Nova Zelândia. Um de seus trabalhos era tosar ovelhas. “Minha família fazia isso e eu ajudava”, conta a garota. Mesmo alcançando um status alto no esporte, ela não abriu mão de cursar uma faculdade e faz graduação em estudos maori. “Essa cultura é parte da Nova Zelândia.”

Peça importante da seleção, ela espera que a Olimpíada alavanque ainda mais a modalidade. “Quando eu era criança assistia aos Jogos Olímpicos pela televisão e sonhava com isso. Acho que será uma experiência incrível. É uma grande oportunidade para mostrar esse esporte para o mundo”, diz a jogadora de 23 anos, que assume o favoritismo. “É bom ter pressão, isso ajuda a gente.”

Sarah sabe que poderá contar em campo com Portia Woodman, 24 anos, considerada a melhor jogadora do mundo e que tem o rúgbi no sangue da família. “O rúgbi é muito grande na Nova Zelândia, é como o futebol no Brasil. Meu pai e meu tio jogaram pelos All Blacks, que é como chamamos a seleção masculina de rúgbi, e eu cresci nesse ambiente.”

Portia conta os dias para a estreia do rúgbi na Olimpíada, e já sonha com suas corridas no Rio de Janeiro. “Ainda tem muito tempo para a Olimpíada, mas tenho certeza de que será uma experiência incrível. A família está muito feliz com isso. Meu pai e minha mãe compraram as passagens para vir ao Brasil, os ingressos.”

Beatriz Futuro, a Baby, uma das mais experientes jogadoras do Brasil, diz que a jogadora da Nova Zelândia é um fenômeno. “A Portia é uma atleta bem completa. Ela tem um potencial físico muito grande, é forte mentalmente, joga com sangue nos olhos, como a gente costuma dizer. É difícil pará-la no campo.”

Portia adota um discurso humilde, e diz que sua seleção precisa pensar jogo a jogo e entrar em campo para se divertir, deixando a pressão pela medalha de lado. Para ela, a receita do sucesso no rúgbi é bem simples. “É preciso comprometimento e dedicação.”

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