Ed Sloane/WSL
Ed Sloane/WSL

Sede do surfe recusa pedido do Brasil e teste de covid-19 em atletas durante Olimpíada vira impasse

Após solicitação do COB para que integrantes da delegação brasileira fossem testados em Ichinomiya, cidade alegou falta de instituições médicas no município

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 10h00

O endurecimento das regras de controle da covid-19 imposto pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio com a obrigatoriedade de testes diários para detectar a doença em atletas e integrantes das delegações criou um entrave à equipe brasileira de surfe. Isso porque o COB (Comitê Olímpico do Brasil) solicitou à cidade de Ichinomiya, sede das provas de surfe, cooperação para garantir que integrantes da delegação do surfe fossem submetidos aos testes na própria cidade, além de apoio se algum caso fosse confirmado, mas o governo local respondeu que não seria possível atender ao pedido devido à falta de instituições médicas no município.

Agora, há um impasse sobre onde serão realizados os testes de covid-19 da delegação brasileira do surfe. Ichinomiya está na província de Chiba, a aproximadamente duas horas de distância de carro de Tóquio, onde ficará a central médica dos Jogos montada pelo Comitê Organizador. A recusa de Ichinomiya à solicitação do COB foi revelada pela rede japonesa NHK.

“Estamos em contato com o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos para saber como serão realizados os testes no hotel contratado através do TOCOG (sigla em inglês do comitê organizador), após a exigência de testes diários publicada no último Playbook para atletas e oficiais”, diz o COB em nota enviada ao Estadão. Antes, a previsão era de que os exames seriam realizados a cada quatro dias.

A intenção do COB permanece em instalar a equipe brasileira de surfe em hotéis de Ichinomiya antes e durante os Jogos, sem a necessidade de ficar na Vila Olímpica de Tóquio e se deslocar diariamente para a cidade. Com apenas 12 mil habitantes, Ichinomiya é uma pequena cidade banhada pelo Oceano Pacífico. As provas olímpicas serão realizadas na praia de Tsurigasaki, conhecida por atrair surfistas de várias partes do mundo.

As disputas de surfe estão programadas para começar em 25 de julho, com as finais no dia 28. Mas, como a competição pode ser atrasada pelas condições do mar, há dias adicionais incluídos no calendário olímpico e o evento pode terminar em 1.º de agosto.

O Brasil tem quatro vagas confirmadas no surfe, duas no masculino e duas no feminino: Gabriel Medina, Ítalo Ferreira, Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb. O surfe vai fazer sua estreia nos Jogos Olímpicos.

A equipe brasileira tem grandes chances de medalhas, o que dá a possibilidade de o País, inclusive, superar a marca de sete ouros, conquistada nos Jogos do Rio, em 2016. Medina é bicampeão mundial, enquanto Ítalo é o atual vencedor do circuito e Silvana Lima tem no currículo dois vice-campeonatos mundiais.

Restando menos de três meses para o início dos Jogos Olímpicos, o Comitê Organizador ainda está estudando como submeterá a testes de covid-19 os competidores que não deverão ficar hospedados na Vila dos Atletas, em Tóquio. Alguns municípios, como Ichinomiya, já adiantaram ser difícil garantir que os testes possam ser realizados todos os dias na cidade.

Diante do imbróglio, o COB acredita que não apenas a equipe brasileira de surfe poderá ser prejudicada. “Essa é uma questão que traz impacto não somente ao Brasil, mas a todos os países com hotéis contratados próximo ao local de competição”, alega o órgão.

Atualmente, Tóquio está em estado de emergência, com várias restrições de circulação. O Japão registrou recorde de internações em UTI devido ao coronavírus. Segundo autoridades locais, 1.050 pessoas apresentavam sintomas graves e estavam hospitalizadas sob cuidados intensivos em todo o Japão no último domingo. O recorde anterior era de 1.043, registrado em 27 de janeiro, durante a terceira onda de infecções no país.

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