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Segurança olímpica ofusca liberdade de imprensa na China

O enorme esquema de segurança preparadopela China para a Olimpíada está se sobrepondo à liberdade deexpressão prometida pelo governo, e isso pode impedir o país deexibir como queria as suas proezas econômicas e culturais,segundo jornalistas radicados em Pequim. Recentemente, autoridades interferiram numa transmissão aovivo que havia sido aprovada pelo governo, proibiram o acessode uma equipe de TV a um evento-teste, também previamentefranqueado, e estão impedindo uma empresa de filmar em umapartamento comum fora do cordão de segurança. Alguns jornalistas já cogitam uma redução das suascoberturas olímpicas, deixando de lado até mesmo matériaspositivas, não-políticas. "A um mês (do início dos Jogos), vimos um endurecimento docontrole e uma ênfase avassaladora na segurança, beirando aparanóia, o que pode tirar grande parte do que deveria ser adiversão dos Jogos", disse Jonathan Watts, presidente do Clubede Correspondentes Estrangeiros da China. "Parece que as diretrizes de cima para a liberdade deexpressão não foram implementadas pelas autoridades de escalãoinferior, que realmente não mudaram a mentalidade que durantedécadas esteve focada em obstruir os jornalistas." A China prometeu garantir à imprensa a mesma liberdade deOlimpíadas prévias, mas muitos correspondentes sentem que ogoverno, habituado a controlar a imprensa doméstica, estárenegando sua promessa para garantir a realização de um evento"perfeito". A entidade Human Rights Watch alertou neste mês que a Chinaestá violando suas promessas. A ONG criticou também o ComitêOlímpico Internacional (COI) por não se empenhar em fazerPequim cumprir seus compromissos com relação a liberdade deimprensa e direitos humanos. Os Jogos estão sob a coordenação do vice-presidente XiJinping, e pode haver preocupações políticas por trás dasrestrições. Mesmo que as proibições imediatas partam defuncionários de baixo escalão, jornalistas afetados garantemque figurões do regime comunista não querem ou não conseguemintervir. "Acho que no fundo tudo tem a ver com o medo. Ninguém quero chefe dizendo: 'Como você nos faz passar vergonha durante oevento da década?"', disse um produtor de uma grande redeestrangeira, já revendo os planos para a cobertura olímpica docanal.

EMMA GRAHAM-HARRISON, REUTERS

14 de julho de 2008 | 09h08

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