Lucas Figueiredo|Divulgação
Lucas Figueiredo|Divulgação

Seleção brasileira de futebol tenta resgatar o prestígio nos Jogos

Após colecionar fracassos, equipe vê no Rio a chance de dar a volta por cima

Almir Leite, enviado especial a Goiânia, O Estado de S. Paulo

29 de julho de 2016 | 07h00

Início da madrugada desta quinta-feira. A seleção brasileira olímpica chega ao hotel em Goiânia em que se hospeda para o amistoso de amanhã contra o Japão. No máximo 40 pessoas esperam a delegação. Neymar, o último a descer do ônibus, não atende aos pedidos de autógrafos e selfies. A reação é imediata: “Uh, é 7 a 1; uh, é 7 a 1”, vingam-se os torcedores descontentes.

A provocação, que já ocorrera outras vezes, atinge o astro, e também dá uma mostra que quanto é difícil uma das tarefas que vários integrantes da equipe olímpica se propõem: dar início a um processo de resgate do prestígio da seleção brasileira.

A coleção de fracassos dos últimos anos, cujo símbolo maior é o histórico vexame diante da Alemanha na Copa do Mundo de 2014 – além das fracas participações nas duas últimas Copas América –, trouxe desconfiança e fez diminuir o interesse do torcedor pela seleção. Mas há quem no jovem grupo atual que considera possível começar a reverter o quadro, a partir de boa participação nos Jogos do Rio, se possível coroado com o ouro.

“Podemos construir uma nova história, com, muito trabalho, tranquilidade, sabendo o que pode ser feito em campo”, acredita o técnico da seleção olímpica, Rogério Micale. “Servir a seleção brasileira é motivo de orgulho para qualquer um.”

Ele tem adeptos nessa tese. Entre eles, o único craque do time, o mais cobrado e o que participou de dois dos três últimos naufrágios – não foi à Copa América Centenário, no Estados Unidos, justamente para ser protagonista na Olimpíada. Neymar garante que a busca pela recuperação do prestígio não representa um peso, mas diz preferir preservar a garotada, para o caso de as coisas não darem novamente certo.

Mesmo porque ele já tem bom tempo de estrada. “Se houver qualquer cobrança ou peso, eu assumo a responsabilidade”, garantiu. “Eu estou há um bom tempo na seleção e quero tirar essa responsabilidade das costas deles (companheiros) para deixá-los tranquilos e felizes para jogarem futebol. Eles são novos, mas sabemos da responsabilidade de levar o Brasil (ao sucesso) em casa na Olimpíada.”

EMPOLGAÇÃO

No entanto, há gente nova que se diz ávida para participar de maneira efetiva desse processo de resgate. E que entende que ele passa pela garotada. É o caso de Gabriel Jesus. “Sabemos que precisamos jogar um bom futebol, mostrar que o Brasil está se renovando. Daqui a algum tempo vai voltar a ser o país do futebol”, aposta o palmeirense de 19 anos.

O santista Gabriel Barbosa concorda com o parceiro. E aposta na nova safra, da qual poderá ser parte ativa, para a retomada do prestígio da seleção – e por seu raciocínio, o sucesso da olímpica é o primeiro passo.

“Acho que está provado que o Brasil vem se renovando. A seleção é muito boa e jovem. Sabemos que o Brasil não vem ganhando campeonatos, mas vem revelando grandes jogadores”, aponta. “Se o Brasil continuar revelando e treinando, pode ganhar vários campeonatos e ter o melhor futebol do mundo.”

O entusiasmo do garoto, porém, é freado por Tite, que na realidade poderá ser o verdadeiro condutor do processo de resgate como técnico da seleção principal. Ele não nega a importância da missão, tanto da seleção olímpica quanto daquele que comandará. Mas tenta evitar a pressão.

“Legado da seleção olímpica é bom desempenho, sem se preocupar em modificar histórias passadas, boas ou ruins. Agora, vamos construir nossa própria história.”

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