EFE
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Almir Leite, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 05h00

A seleção brasileira tem hoje duro desafio na caminhada em busca do ouro olímpico. Enfrenta a Colômbia, uma equipe tem se mostrado forte física e taticamente, às 22h, no Itaquerão, por uma vaga na semifinal. Neymar é dúvida, por causa de entorse no tornozelo direito, mas a tendência é que vá jogar.

Em caso de empate no tempo normal, haverá prorrogação e, se necessário, disputa por pênaltis para definir o classificado. Quem passar joga contra o vencedor de Coreia do Sul x Honduras, que jogam às 16h no Mineirão. A semifinal será quarta-feira, no Maracanã.

Apesar de o jogo ser eliminatório, o técnico Rogério Micale não vai abrir mão do sistema ofensivo em prol de um esquema mais conservador. “Não existe essa possibilidade. Vamos manter nossa forma de jogar, foi dessa forma que nos preparamos. O conceito, a forma de atuar, não mudam’’, disse.

Depois do tropeço nas duas primeiras partidas, a seleção deslanchou diante da Dinamarca e Micale achou o time na vitória por 4 a 0. Com Luan em campo, Neymar mais centralizado e participativo e Gabriel Jesus pela esquerda, a equipe manteve o mesmo nível quando variou do 4-3-3 para 4-2-3-1 e tomou conta do jogo. Situação que Micale espera ver repetida hoje, embora admita que o adversário seja bem mais forte.

Mas ele tinha ontem uma dúvida, ou dilema como definiu: manter Walace ou promover o retorno de Thiago Maia, que não jogou quarta-feira na Fonte Nova por suspensão. “Estamos pensando. O Thiago fez ótimas partidas antes da suspensão e o Walace fez uma partida perfeita contra a Dinamarca. Vamos ver o melhor encaixe’’, justificou Micale.

Na hipótese de Neymar não jogar – remota, a tomar como base o fato de, ontem à tarde, o jogador ter caminhado normalmente, sem mancar, e não apresentar inchaço no tornozelo –, o treinador poderá escalar os dois volantes. “Mas confiamos que o Neymar esteja pronto para o jogo.’’

Respeito a Neymar. O técnico da Colômbia, Carlos Restrepo, deu pista de que vai determinar atenção especial sobre Neymar. “Não podemos deixar de respeitá-lo’’, admitiu Micale, porém, não acredita que um dos artifícios dos colombianos será provocar o atacante, como aconteceu no jogo entre as seleções principais na Copa América do Chile, nem tentar pará-lo com violência, como ocorreu na Copa do Mundo de 2014.

“Não me preocupo em relação a isso, faz parte do passado. Estamos vivendo um outro momento, falando de Olimpíada’’, acredita Micale. “E Neymar é provocado onde quer que vá no mundo.’’

Preocupação é que o time mantenha o equilíbrio emocional mesmo que o gol demore a sair, ou caso a Colômbia marque primeiro esta noite – até agora o Brasil ainda não tomou gol na Olimpíada – é a única equipe a não ser vazada. “É um jogo em que as duas equipes precisam ganhar para passar de fase. Temos de tentar ganhar, independentemente do momento do gol. Quanto mais rápido, mais tranquilo fica. E se eles fizerem, temos de ter tranquilidade. São 90 minutos’’, alerta Rogério Micale.

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Almir Leite, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 05h00

Na vitória por 4 a 0 sobre a Dinamarca, a seleção brasileira contou com o apoio incondicional da torcida no Rio-2016. Hoje à noite, a equipe espera que essa força se repita no Itaquerão, apesar da fama de exigente do torcedor paulista, principalmente nos momentos de maior dificuldade, se eles vierem a ocorrer.

O pedido de apoio desta vez partiu do zagueiro são-paulino Rodrigo Caio. “Foi bonito ver a torcida baiana nos apoiando desde o início, quando entramos para aquecer sentimos uma vibração muito positiva. Esperamos que aqui em São Paulo não seja diferente.’’

Apelar para o torcedor é a tônica da seleção desde o início da preparação, em praticamente todas as entrevistas, jogadores e o técnico Rogério Micale acabam dando um jeito de dizer o quanto o torcedor é importante. E a seleção não pode se queixar: mesmo em Brasília, o apoio inicial existiu, mas acabou substituído por cobranças e vaias diante de atuações frustrantes.

Esta noite, há um outro fator, além do espírito exigente do torcedor paulista, que pode levar a uma divisão. A seleção tem são-paulino, palmeirense (Gabriel Jesus), santistas (Gabriel Barbosa, Zeca e talvez Thiago Maia) e não conta com corintianos, embora recentemente Renato Augusto tenha atuado pelo clube.

Existe, por isso, o risco de o torcedor de um time acabar pegando no pé do jogador de uma equipe adversária.

Rodrigo Caio espera que isso não aconteça. “Precisamos muito do apoio e da vibração (dos torcedores). Convocamos são-paulinos, corintianos, palmeirenses e santistas a nos apoiarem’’, pediu.

Mas para isso será preciso a seleção fazer a sua parte. Com passagem pelas categorias de base do Corinthians, o goleiro Weverton sabe que só haverá apoio se o time mostrar bom futebol. “O público paulista vai reagir de acordo com o que produzirmos em campo. Tenho certeza que o apoio virá de acordo com a dedicação da seleção contra os colombianos. Por mais exigente que a torcida possa ser, nós estamos representando o Brasil. Merecemos e precisamos de apoio’’, disse.

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Almir Leite, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 05h00

Rogério Micale define a Colômbia como uma seleção equilibrada, forte coletivamente, adepta do contra-ataque, mas que também sabe propor o jogo no Rio-2016. E o adversário desta noite do time brasileiro realmente requer cuidado. Pelo que demonstrou até agora, em campanha semelhante à do Brasil na primeira fase – dois empates e uma vitória –, os colombianos devem dar bastante trabalho.

A exemplo da seleção brasileira, o ataque é talvez a maior força do time treinado por Carlos Restrepo – seis gols até agora, dois em cada partida. Pabón, que teve passagem pelo São Paulo, Téo Gutierrez, o destaque do time, e Sebastian Perez são habilidosos e rápidos. E ainda tem Miguel Borja, que na recente Libertadores fez quatro gols contra o São Paulo jogando pelo Atlético Nacional.

Restrepo não esconde que já explorar os espaços que imagina que o Brasil deixará esta noite. “Toda equipe que vai muito ao ataque se arrisca na defesa. Podemos aproveitar as costas dos volantes, como fizemos contra a Nigéria e o Japão. Fomos agressivos e assim que temos que ser’’, disse, ontem.

Em compensação, a defesa colombiana se mostra confusa e vulnerável quando pressionada. Por isso, deve ganhar uma proteção maior na partida contra o Brasil.

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