Denny Cesare|Estadão
Iziane quer uma medalha olímpica para inspirar nova geração do basquete Denny Cesare|Estadão

Seleção feminina de basquete quer mostrar personalidade

Iziane se vê no papel de líder da equipe no Sul-Americano

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

14 de maio de 2016 | 17h00

O técnico Antonio Carlos Barbosa reassumiu o comando da seleção brasileira feminina de basquete a oito meses da Olimpíada. Metade do tempo de trabalho já se esgotou, e a equipe se prepara para o seu primeiro teste, entre 20 e 26 de maio, no Campeonato Sul-Americano da Venezuela, em Barquisimeto. Para as atletas, o time agora precisa assimilar a nova filosofia de trabalho e ganhar confiança.

"O Brasil está reincorporando um padrão de jogo. Acredito muito no trabalho e na experiência do Barbosa para a gente mostrar no Sul-Americano que o Brasil está com personalidade", avalia a pivô Kelly.

Nesta convocação, Barbosa apostou sobretudo em jogadoras veteranas. Aos 37 anos, a armadora Adrianinha volta à equipe depois de se despedir da seleção duas vezes. A ala Iziane (34) continua à frente do grupo, que tem média de idade de 30 anos. A mais jovem da lista era Isabela Ramona, com 21, mas a ala sofreu uma lesão no joelho e deverá passar por cirurgia.

Iziane valoriza uma transição menos radical e se diz otimista com o futuro da equipe. "Acredito que essa nova geração já passou pela parte mais difícil, que foi assumir a responsabilidade na marra, sem estar preparada. Elas estão agora com uma geração muito mais velha, que vai comandar, e serão coadjuvantes. Vão poder tocar o barco de forma apropriada."

A jogadora, que atuou em times da Europa e da WNBA (liga de basquete feminino norte-americana), conta com o apoio de treinador e assume a responsabilidade nesse ciclo olímpico. "Sei que meu papel é de líder hoje, espero poder render para isso. Vou treinar bastante para ajudar a seleção e o próprio Barbosa", promete.

A terceira passagem do técnico pela seleção teve início em um momento conturbado. Barbosa assumiu o lugar de Luiz Augusto Zanon em meio ao boicote liderado pelos clubes da Liga de Basquete (LBF), que exigiam da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) mudanças para o basquete feminino. Neste contexto, sete atletas pediram dispensa devido ao racha e não disputaram o evento-teste para os Jogos do Rio, em janeiro. A pressão sobre a CBB trouxe mudanças. Além da troca de comando, a ex-jogadora Adriana Santos aceitou o cargo de coordenadora de seleções femininas. 

A armadora Adrianinha, que defendia o América, de Pernambuco, estava no grupo que não se apresentou para a competição no Rio. Ela prefere não comentar mais o assunto, mas garante que não temeu sofrer retaliação. "A comissão técnica e a Confederação querem o melhor para o basquete feminino. Aqui estão as atletas que eles acham que são as melhores para representar o Brasil", afirma.

Kelly e Iziane acreditam que essa turbulência foi positiva para o esporte. "Foi um marco para a seleção brasileira de basquete feminino. A CBB pôde olhar no espelho e houve mudanças. O berro que os clubes deram teve um resultado bom. E a CBB fez uma jogada de mestre colocando a Adriana, que tem muito prestígio, e o Barbosa, que é muito querido", analisa a pivô.

Barbosa tem em seu currículo a medalha de bronze nos Jogos de Sydney, em 2000, e o 4.º lugar em Atenas-2004. Sua meta agora é resgatar o prestígio da seleção brasileira. "Aquela equipe do bronze também era um pouco desacreditada porque já estava sem Paula, sem Hortência e, mesmo assim, conseguiu resultado. Acho que pode ser o mesmo fator para a gente. Uma equipe que passou por uma troca recente de técnico, teve alguns problemas e não tem tido bons resultados, mas que pode surpreender", compara Adrianinha.

Para Iziane, a única maneira de ganhar credibilidade é trazendo resultados. "Ninguém se inspira em perdedor, por mais que você seja um campeão de representar o País em uma Olimpíada. Você se espelha naquele medalhista olímpico, naquele campeão mundial. É o momento de aproveitar essa Olimpíada, trazer a medalha e ser novamente um espelho para a nova geração."

E as veteranas acreditam que podem colocar a seleção brasileira novamente no topo. "Estou muito confiante", diz Iziane. E Adrianinha completa: "A gente tem tudo para poder voltar a estar entre as melhores seleções do mundo."

 

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