German Aristizabal/Federação Peruana de Rugby
German Aristizabal/Federação Peruana de Rugby

Seleção feminina de rúgbi luta pela vaga olímpica nos Jogos de Tóquio

Equipe tem o favoritismo no torneio em Lima, mas capitã Raquel Kochhann pede os pés no chão para evitar qualquer surpresa

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2019 | 04h36

As Yaras, como a seleção brasileira feminina de rúgbi é conhecida, podem conquistar a classificação olímpica para os Jogos de Tóquio neste domingo, no último dia de disputas em Lima, no Peru. Com dez seleções participando do Pré-Olímpico e apenas uma vaga para a América do Sul, a equipe é favorita, mas só carimba o passaporte se obtiver o título no torneio internacional.

No primeiro dia de disputas, no sábado, o Brasil passou fácil por Venezuela (55 a 0), Guatemala (55 a 0) e Paraguai (50 a 5). Hoje, fará o último confronto da primeira fase contra o anfitrião Peru, depois disputará a semifinal e, caso vença, a final. Recentemente, o Brasil conquistou seu 15.º título sul-americano consecutivo, mantendo hegemonia histórica no continente. Mas nem por isso as atletas acreditam que será fácil obter vaga.

“A gente está sempre com os pés no chão. A gente sabe da nossa história e isso é sempre uma pressão maior. Independentemente de qualquer coisa que esteja em disputa, a gente tem essa pressão de manter essa hegemonia”, diz Raquel Kochhann, capitã do Brasil. “Por isso vamos sempre dar 100%. Nunca entramos de salto alto, respeitamos todas as equipes e fazemos isso colocando nosso melhor em campo. Se dermos o nosso melhor, qualquer que seja o resultado, estaremos satisfeitas.”

Da seleção que disputou os Jogos Olímpicos no Rio só restou ela e Isadora Cerullo neste grupo em Lima. Outras atletas, como Beatriz Futuro, Haline Scatrut e Luiza Campos, estão na seleção, mas não foram convocadas para o Pré-Olímpico pelo técnico Reuben Samuel, da Nova Zelândia, um profissional especializado na detecção e formação de talentos. “A nossa expectativa é conseguir colocar em campo tudo o que a gente vem treinando. Pudemos afinar nosso jogo e o objetivo obviamente é o primeiro lugar para conquistar a vaga”, diz Raquel.

As Yaras vivem um ótimo momento. Além do recente título sul-americano, a equipe brasileira também conquistou a vaga fixa na Série Mundial, que conta com as melhores seleções de rúgbi do mundo. Isso vai dar experiência para o grupo jovem e será um bom teste contra rivais mais fortes. “A gente vem se preparando faz um tempo, desde que conquistamos a vaga em Hong Kong, aí nosso foco foi diretamente para esse torneio qualificatório. Tem a parte técnica, tática, de condicionamento, e trabalhamos duro para conseguir colocar em campo o nosso resultado”, explica Raquel.

O Torneio Pré-Olímpico será disputado no estádio de rúgbi do Complexo Andrés Avelino Cáceres, construído para os Jogos Pan-Americanos de Lima. Ele foi inaugurado recentemente e a competição servirá como evento teste para o Pan. “A nossa expectativa é alta, pois nunca perdemos um jogo na América do Sul e trabalhamos todos os dias para conseguir manter essa marca”, lembra Raquel, ciente da hegemonia das Yaras no continente, onde a seleção nunca perdeu em jogos oficiais.

A Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) espera a classificação olímpica para poder dar mais um passo nesse processo de renovação. A média de idade da equipe é de 21 anos e o grupo vem ganhando experiência. O fato de ter se classificado para disputar a Série Mundial vai contribuir para esse trabalho.

“Se conquistarmos a vaga olímpica, teremos oito etapas da Série Mundial, começando em outubro e terminando em junho, como uma excelente preparação contra as melhores equipes do mundo para os Jogos de Tóquio”, comenta Agustín Danza, CEO da CBRu.

TIME BRASIL

O Comitê Olímpico do Brasil espera levar para os Jogos de Tóquio entre 250 e 350 atletas. Até o momento, o País tem apenas 24 competidores confirmados para 2020: a seleção feminina de futebol, com 18 jogadoras, e seis atletas da vela, em quatro classes diferentes (Nacra 17, Laser, Finn e 49er FX).

Alguns representantes do atletismo conquistaram o índice olímpico em suas provas, como Darlan Romani (arremesso de peso), Daniel Chaves da Silva (maratona), Caio Bonfim e Erica Sena (marcha atlética 20 km), mas como a Confederação Brasileira de Atletismo ainda não definiu os critérios de classificação para a próxima Olimpíada, não dá para colocar esses competidores no grupo de garantidos em Tóquio.

Caso a seleção feminina de rúgbi obtenha sua classificação neste domingo, serão mais 12 pessoas na delegação do Time Brasil para os Jogos no Japão. Essa lista tem tudo para aumentar nos Jogos Pan-Americanos de Lima, que vão distribuir vagas diretas em 14 modalidades brasileiras: saltos ornamentais, nado artístico, polo aquático, handebol, hipismo adestramento, saltos e CCE, hóquei sobre grama, tênis, tiro com arco, tiro esportivo, vela, pentatlo moderno e surfe.

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