Seleção feminina de vôlei busca reforço técnico e emocional

As derrotas traumáticas emcompetições importantes como a Olimpíada de Atenas e o Pan doRio de Janeiro ainda repercutem na seleção feminina de vôlei doBrasil, que iniciou o trabalho de preparação para os Jogos dePequim consciente das dificuldades emocionais a seremvencidas. "Imagina um grupo de 12 mulheres o tempo todo juntas,quando acontece a tal da TPM (tensão pré-menstrual) é muitodifícil de controlar. Coitado do Zé", disse a ex-capitãoValeskinha, jogadora mais experiente do grupo, aos 32 anos,lembrando as dificuldades encontradas pelo técnico José RobertoGuimarães para lidar com as meninas. Depois da eliminação na semifinal de Atenas e da derrota emcasa para Cuba na final do Pan, a seleção feminina recomeçou naterça-feira o trabalho para voltar a uma Olimpíada. Em todas asentrevistas, as jogadoras eram questionadas sobre essasderrotas, e passavam uma sensação de ainda não terem serecuperado totalmente dos baques. Para ajudar fora de quadra, a seleção passou a ter a partirdesta semana uma psicóloga convivendo diariamente com asatletas, tanto no centro de treinamento quanto nos amistosos etorneios preparatórios para Pequim. A intenção de Zé Roberto é levar Sâmia Hallage também paraPequim, o que ainda depende de uma negociação com o ComitêOlímpico Brasileiro. Oficialmente, Sâmia foi apresentada àsjogadoras na terça-feira, mas muitas delas já conheciam apsicóloga, que trabalha nas divisões de base do vôleibrasileiro. "A Sâmia vem somar, ajudar. Não é o fato de resolver todosos problemas, mas o fato de termos mais uma mulher na comissãotécnica", disse o treinador, após treino da equipe em Saquarema(RJ). "É importante num grupo feminino ter alguém para ouvir,orientar. No feminino, nós não temos a possibilidade de estarjunto com as meninas o tempo todo." A própria presença de Valeskinha, que passou a jogar comoponta e não mais no meio-de-rede, pode ser um ponto positivopara o astral das jogadoras. A ex-capitã ficou fora do Pan pordecisão do treinador, mas ganhou uma nova chance na seleçãoatuando numa posição diferente. "Volto muito mais disposta", disse Valeskinha. "Euacompanhava o que estava acontecendo na seleção, e tentavapassar força. Um momento que a gente não esteja bem nãosignifica que não somos uma equipe forte."

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