Ricardo Moraes|Reuters
Ricardo Moraes|Reuters

Seleção masculina de vôlei busca seu terceiro ouro olímpico

Após superar ameaça de desclassificação, time de Bernardinho e Serginho vai para 4ª final seguida nos Jogos, contra a Itália

Antonio Pita/Rio e Ciro Campos, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2016 | 05h00

O hegemônico Brasil disputa neste domingo, às 13h15, no Maracanãzinho, a quarta final seguida de vôlei masculino. Nos Jogos do Rio e com o ginásio lotado, o time que alcançou o recorde de decisões busca o terceiro ouro da história diante do adversário com quem iniciou a série histórica, a Itália, em 2004.

Somente o técnico Bernardinho e o líbero Serginho são os remanescentes de todo o processo. A dupla vivenciou nas duas últimas finais olímpicas derrotas para Estados Unidos e Rússia, experiência que ajudou toda a equipe a superar o começo difícil no Rio, com duas derrotas e ameaça de desclassificação ainda na primeira fase.

“Na Vila, o jogador se sente Neymar. O pessoal da limpeza, o motorista, conhece a gente. A expectativa das pessoas é enorme. Isso condicionou certas atuações. Mas o time mostrou capacidade de lutar”, disse Bernardinho. “Contra a Rússia, a equipe teve uma performance técnica melhor. Mas a Itália é diferente e isso pode não ser suficiente.”

A Itália vai tentar, pela quarta vez, a inédita medalha de ouro, embalada por uma vitória que revigorou a confiança do grupo. Contra os Estados Unidos, na sexta-feira, a equipe teve dificuldades para encaixar o bloqueio, mas soube usar com precisão sua arma mais potente para desarticular os adversários: o saque. “É a chave do jogo”, explicou o capitão Emanuele Birarelli. “Não temos medo de nenhum time, conhecemos a nossa força”, resumiu.

Foram dez aces na última partida, sendo cinco do jogador Ivan Zaytsev – a estrela da seleção. Filho do campeão olímpico russo (1980, Moscou) Vyacheslav Zaytsev, ele nasceu na Itália e defende a seleção desde 2010. “Meus ancestrais são russos, meu passaporte também, mas eu sou mais italiano do que russo agora”, disse o jogador.

A final contra o Brasil, em uma Olimpíada no Rio, terá duplo sabor de revanche para Ivan. Em 2015, ele foi cortado da seleção italiana da etapa carioca da Liga Mundial por indisciplina: ele burlou a concentração para curtir a badalada noite da cidade maravilhosa. A Itália terminou em quinto lugar na competição. “Nós nunca vencemos do Brasil em um torneio como esse, mas agora queremos escrever nossa própria história”, disse o jogador.

O saque italiano também foi decisivo na partida contra o Brasil, na primeira fase, quando a Itália venceu por três sets a um. Na partida, a seleção de Bernardinho sofreu uma “perda total de lucidez” em quadra, nas palavras do capitão, Bruninho. Com o passe quebrado pelos saques, a equipe não conseguiu armar contra-ataques para vencer o bloqueio.

Sofrendo a pressão da expectativa da torcida, o time se reuniu antes da partida decisiva contra a França. “O Escada (Serginho) deu um exemplo essencial, de imaginar que estava na UTI. Depois de conversarmos entre nós, a atitude, a postura dentro de quadra mudou”, disse Wallace, o maior pontuador da Olimpíada. Para Serginho, é para ele que as bolas devem ir quando o time está em apuros.

Aos 29 anos, o atacante diz ter ganhado experiência após a derrota, em Londres, em 2012, para medir a potência do ataque. “Eu cresci e amadureci bastante sobre os momentos do jogo, não adianta sair atacando contra o bloqueio de qualquer maneira. O time não depende de mim, todos estão se ajudando. O caminho do time é esse: um por todos, e todos por ele”, disse o jogador, que quer dedicar o título ao líbero, Serginho.

Aos 40 anos, o jogador é o único que atuou nas quatro finais olímpicas disputadas pela seleção brasileira – a única equipe na história a alcançar a marca. Mas Serginho não quer pensar nisso. “Melhor coisa da vida é segunda-feira estar livre da seleção, poder descansar. Quero que o jogo chegue logo para acabar e eu ir embora. Na segunda estarei em casa, tomando a minha tubaína”, brincou.

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