Wander Roberto/COB
Wander Roberto/COB

Brasil leva virada no vôlei masculino, perde para russos e fica fora da briga pelo ouro em Tóquio

Equipe brasileira é superada por 3 sets a 1 e dá adeus ao sonho do bicampeonato olímpico; vai disputar agora a medalha de bronze

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2021 | 03h45

A seleção brasileira masculina de vôlei lutou bastante na madrugada desta quinta-feira, pelo horário brasileiro, mas não resistiu ao Comitê Olímpico Russo (ROC). A derrota por 3 sets a 1, com parciais de 25/18, 21/25, 24/26, 23/25, impede a briga pelo bicampeonato olímpico nos Jogos de Tóquio, mas ainda dá chance de obter a medalha de bronze. 

Os russos foram superiores ao longo da maior parte do jogo, principalmente a partir do segundo set. No terceiro, chegaram a ter seis pontos de desvantagem, porém buscaram uma incrível virada para liderar o placar. Na equilibrada quarta parcial, os adversários do Brasil foram melhores nos momentos mais importantes e sacramentaram a vaga na final. O Brasil perdeu para os russos nos três últimos confrontos, dois deles em Tóquio. 

O Brasil esteve longe de repetir as boas atuações dos últimos jogos. Lucarelli e Wallace oscilaram muito ao longo do jogo, sem a mesma confiança das partidas anteriores. Tanto que o destaque brasileiro foi Leal, com 18 pontos. Do outro lado, o maior pontuador russo foi Maxim Mikhaylov, com 22. 

Na decisão, marcada para as 9h15 de sábado (de Brasília), o adversário dos russos sairá do confronto entre França e Argentina. Quem perder vai encarar o Brasil na disputa do bronze, a 1h30 da madrugada do mesmo dia. 

A Rússia vinha sendo o grande obstáculo do Brasil nos últimos meses. A seleção vinha de duas derrotas seguidas para os rivais, ambas por 3 a 0, uma delas na fase de grupos em Tóquio e outra na Liga das Nações, em junho. A seleção também venceu os rivais nesta competição, no início da sua caminhada até o título. 

E havia eliminado os russos na semifinal dos Jogos do Rio-2016. Logo, a vitória desta quinta teve sabor de vingança para os russos. O confronto ainda lembrou a dura derrota do Brasil para os rivais na final dos Jogos de Londres-2012, quando o time brasileiro sofreu a virada no placar. O técnico Renan Dal Zotto evitou surpresas e manteve a formação titular com Wallace, Leal, Lucarelli, Lucão, Maurício Souza e o levantador Bruninho, além do líbero Thales

O Brasil começou acelerando as jogadas e surpreendendo os russos. A vantagem de dois pontos logo aumentou para cinco, deixando o oponente quase sem reação. Mais surpreendente foi a performance brasileira no bloqueio. Foram quatro pontos, contra nenhum dos adversários, na primeira parcial. O desempenho era sintomático da superioridade brasileira em quadra, principalmente porque, no jogo anterior, os russos haviam dado um show nos bloqueios. 

VIRADA

Mas tudo mudou no segundo set. Os russos impuseram forte reação ao se reorganizar em quadra e aproveitar as falhas brasileiras, táticas e também em ataques. Abriram até seis pontos de vantagem, desenhando um massacre na parcial. Porém, a seleção esboçou reação ao recuperar a atenção e seus fundamentos táticos. Para ajudar, Renan colocou Maurício Borges no lugar de Leal para reforçar a defesa. 

Mais sólido, o time não evitou a derrota no set, mas recuperou parte da confiança para a terceira parte, que começou mais equilibrada. As duas equipes disputavam ponto a ponto até que a seleção passou a se destacar em todos os fundamentos, sem os erros do set anterior. A dianteira no placar chegou a seis pontos (16/10). 

Os russos não desistiram. Reduziram a diferença pouco a pouco, impuseram pressão aos brasileiros e alcançaram uma inacreditável virada para 24/23. O Brasil salvou o primeiro set point, porém não o segundo. E o Comitê Olímpico Russo (ROC) obteve a virada na parcial e também na partida.  

Apesar do baque, a seleção brasileira não desanimou e fez um equilibrado jogo no início do quarto set. Embalados pelos ataques de Maxim Mikhaylov, os russos abriram dois de vantagem em 14/12. O Brasil empatou em 15/15, mas permitiu nova frente dos rivais. O duelo esquentou de vez quando o 20/20 no marcador deixou a partida totalmente em aberto. A partir daí, o jogo foi ponto a ponto, com risco de os russos fecharem já neste set. Nos momentos decisivos, a seleção do Comitê Olímpico Russo cresceu novamente e aproveitou o segundo match point, acabando com as chances do bicampeonato olímpico do Brasil.

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