Silêncio sobre chegada da tocha ao Everest causa frustração

As temperaturasabaixo de zero e os problemas decorrentes da altitude já nãoagradavam ninguém, mas a falta de informações sobre quando umatocha olímpica especial começaria a subir o monte Everesttornou a vida dos jornalistas presentes no Acampamento Base, naterça-feira, ainda pior. Mais de 24 horas depois de chegarem ao pé da mais altamontanha do mundo, dez jornalistas estrangeiros e 19 chinesescontinuavam sem saber exatamente quando começaria a escalada domaciço, que talvez já tivesse se iniciado. A chama do Everest não é a mesma tocha olímpica quepercorreu o mundo e que, na terça-feira à noite, desfilava pelacidade de Ho Chi Minh, no Vietnã, na última paradainternacional de um périplo marcado por protestos econtra-protestos a respeito do Tibet. As autoridades mostram-se determinadas a evitar que apassagem da tocha pelo mais prestigioso ponto do giro mundial,o Everest, seja prejudicada por manifestações. Tudo o que se ouviu no Acampamento Base resumiu-se aomantra oficial -- "a tocha subirá o monte Qomolangma (Everest)em um dia de maio, quando as condições climáticas foremfavoráveis" -- e vários palpites sobre a almejada data -- aquarta-feira, quando faltarão cem dias para o início dos Jogos,e o Dia do Trabalho, na quinta-feira, eram apontados comofavoritos. "Estamos nos esforçando ao máximo para divulgar asinformações", disse na terça-feira Liu Xuan, vice-diretor doEscritório de Informações do Tibet. "Não estamos escondendonada." Longe dos microfones, o grande grupo de assessores eintérpretes que acompanha os jornalistas admitiu haver umsilêncio oficial a respeito da data por causa de temores quantoà segurança do evento. Um repórter japonês que tentou caminhar rumo ao AcampamentoBase na terça-feira depois do almoço viu-se escoltado de voltapor um membro das forças de segurança. DESAGRADÁVEL Nenhuma outra expedição terá autorização para subir o ladotibetano, norte, do Everest até que a tocha atinja o cume damontanha. Equipes de alpinistas postados no lado sul do Everest (noNepal) tiveram a maior parte de seus equipamentos decomunicação confiscados e não poderão subir ao topo até ametade de maio, segundo vários sites de montanhismo. O Nepal deportou um norte-americano e proibiu-o de realizaralpinismo no país por dois anos após ter descoberto que elecarregava uma bandeira pró-Tibet em uma expedição, na semanapassada, afirmou um porta-voz do Ministério do Turismo naterça-feira. O acampamento temporário erguido para abrigar osjornalistas e do qual é possível divisar a montanha de 8.848metros de altura, oferece um conforto com o qual muitosalpinistas nem mesmo sonhariam. No entanto, para quem não está acostumado com astemperaturas congelantes, o vento forte e as instalaçõessanitárias muito simples, o cenário pode ser desagradável:especialmente depois de sair de uma altitude de 54 metros acimado nível do mar para ficar a mais de 5.000 metros, e isso emmenos de quatro dias. Duas pessoas atingidas pelo mal da montanha deixaram oacampamento na noite de segunda-feira e, apesar de um acidentecom a ambulância no qual uma enfermeira feriu-se levemente,estariam "bem" após terem sido levadas para a cidade deShigatse. Uma das vítimas, o jornalista de TV de Hong Kong e atorbissexto Wang Xi, queria regressar ao Acampamento Base naquarta-feira, segundo um colega dele. À medida que o dia passava, a preocupação com o mal damontanha transformava o cumprimento usual "Como você está?" emuma pergunta verdadeira enquanto recomendações para beber maiságua e descansar bastante circulavam sem parar peloacampamento. O posto do correio do monte Qomolangma, que afirma ser omais alto do mundo, verificava na terça-feira um movimentovisto apenas quando os estrangeiros foram expulsos do Tibetapós os distúrbios violentos ocorridos no mês passado, em Lhasa(capital tibetana). O funcionário do local, no entanto, parece ter sidocontaminado pelas autoridades chinesas presentes na área,recusando-se a dar outras informações que não o fato de quecobraria 5 yuans (72 centavos de dólar norte-americano) paracolocar seu selo oficial sobre um cartão postal.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.