Olivia Harris|Reuters
Olivia Harris|Reuters

'Sorriso precisa voltar aos brasileiros', diz dirigente da Paralimpíada

Dirigente diz que Paralimpíada vai trazer alegria ao País

Entrevista com

Philip Craven, presidente do Comitê Paralímpico Internacional

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2016 | 07h00

A baixa procura por ingressos dos Jogos Paralímpicos do Rio ainda é preocupante a 100 dias da cerimônia de abertura, no dia 7 de setembro. O último balanço divulgado pelo Comitê Rio-2016 aponta que apenas 24% das 3,3 milhões de entradas colocadas à venda foram comercializadas. Uma nova parcial deve ser divulgada hoje. 

Em entrevista ao Estado, o presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), Philip Craven, reconhece que o público brasileiro não tem o costume de comprar bilhetes com muita antecedência e confia no aumento das vendas. O dirigente também fala sobre a preocupação com o vírus zika, a crise política brasileira e promete: “A Paralimpíada colocará o sorriso de volta ao rosto dos brasileiros.”

Como o senhor analisa a organização do Brasil para os Jogos Paralímpicos?

Em nossa reunião de avaliação final do projeto, concluída no Rio há cerca de dez dias, ficamos muito felizes com o resultado, vimos muito progresso. Posso dizer que sabemos que os Jogos Paralímpicos Rio-2016 serão os melhores em termos de desempenho dos atletas. Tivemos performances incríveis nos últimos dois anos em todos os esportes. Podemos assegurar que o aspecto esportivo será absolutamente fantástico. Também é um prazer trabalhar com diferentes departamentos e setores do Comitê Rio-2016.

A venda de ingressos para os Jogos Paralímpicos está lenta. Como o senhor vê isso?

Estamos satisfeitos que a venda de ingressos aumentou recentemente. Em Londres, estávamos em uma situação ligeiramente melhor nesse momento. A venda cresce quando a tocha olímpica chega ao país-sede, isso é o que está acontecendo agora. Há 2,5 milhões de ingressos à venda para os 22 esportes e para as duas cerimônias. Esperamos que a ‘febre dos Jogos’ tome conta do Rio. O brasileiro, em geral, não compra ingressos com muita antecedência, estamos confiantes que a venda continuará a crescer.

O Comitê Paralímpico está preocupado com o vírus zika?

Penso que todo mundo está preocupado com o zika. Mas acredito que, por meio das conversas com nossos parceiros, Comitê Organizador e Organização Mundial da Saúde, alguns passos necessários foram tomados no Brasil.

O que o senhor achou das instalações esportivas do Brasil? 

Fiquei muito satisfeito com o progresso que vi no último encontro, em setembro do ano passado. Como disse, nós concluímos a reunião de avaliação final do projeto e sabemos que as principais instalações estão concluídas. Talvez as coisas tenham levado um pouco mais de tempo no Rio, mas estamos confiantes de que tudo estará pronto “na noite”. 

Quando o senhor acredita que o Rio estará preparado para receber os Jogos Paralímpicos?

Muitas instalações serão usadas tanto para a Olimpíada, quanto para os Jogos Paralímpicos. O mesmo se aplica para a Vila Olímpica. E nós temos necessidades similares para transporte. Então, elas estarão prontos. As mudanças serão feitas entre os Jogos. 

Será preciso fazer ajustes? Como isso funciona?

Temos uma ótima parceria com o Comitê Olímpico Internacional. Há 20 anos, talvez algumas mudanças tivessem de ocorrer entre os Jogos. Mas os Jogos Olímpicos e Paralímpicos evoluíram e muito do trabalho é feito antes de os dois começarem. Algumas mudanças precisam ser feitas - nas vias, nos transportes e nos locais dos jogos - porque, é claro, os Jogos Paralímpicos são muito diferentes. A Vila Olímpica tem de estar “nova de novo”, por isso, há esse período entre os dois Jogos. Mas a maior parte do planejamento acomoda ambos, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. 

Há alguma preocupação com a crise política brasileira?

É claro que as coisas seriam melhores se não tivessem percalços no caminho dos Jogos na frente política e na frente econômica. Temos de encarar a realidade, o que está acontecendo. Mas temos de estar confiantes de que os governos federal, estadual e, especialmente, municipal irão continuar honrando seus compromissos. É do interesse de todos. Os Jogos serão um grande sucesso, vital para as pessoas do Brasil sorrirem. O sorriso precisa voltar ao rosto dos brasileiros. Olimpíada e Paralimpíada colocarão esse sorriso de volta.

Como o Comitê Paralímpico vê a segurança no Rio?

Temos garantias na segurança, aproximadamente 5 mil pessoas serão empregadas, garantindo que os Jogos serão seguros. Será muito semelhante ao esquema que foi anunciado para a Eurocopa, na França. Minha única experiência em grandes eventos no Brasil são os Jogos Parapan-Americanos do Rio, em 2007, quando a segurança foi excelente. Espero a mesma coisa dessa vez. 

Qual será o legado no Rio?

O primeiro legado será que as pessoas ficarão maravilhadas com a performance dos atletas e com a atitude dos paralímpicos. A maioria das pessoas nunca teve chance de entender isso. Nossa visão é de que os atletas sejam capazes de inspirar o mundo. O primeiro passo do legado é a transformação da atitude de todas as pessoas. Acreditamos que a Paralimpíada é o primeiro grande evento esportivo que traz mudanças positivas para a sociedade e nós somos parte dela, não estamos interessados em segregação. Estamos todos juntos para um mundo melhor, essa é a mensagem dos Jogos Paralímpicos.

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