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Stepanova, delatora do doping da Rússia, fora da Olimpíada

Atleta dos 800 m, impedida decompetir no Brasil, diz que decisão fará outros desistirem de denunciar

O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2016 | 07h00

A delatora do doping de Estado na Rússia, a corredora dos 800 metros Yulia Stepanova, alerta que a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de aceitar a participação de Moscou e punir a atleta, a impedindo de competir no Brasil, fará com que outros potenciais delatores desistam de denunciar as irregularidades no esporte.

Stepanova desmontou o sistema de doping criado pelo Kremlin, denunciando o caso às entidades internacionais e a jornais de todo o mundo. Considerada “Judas” por Moscou, ela fugiu e hoje mora entre a Alemanha e os Estados Unidos. Como prêmio, a Federação Internacional de Atletismo anunciou que Stepanova poderia competir no Rio sob uma bandeira neutra.

Mas, no domingo, o COI aceitou a participação russa no evento e deixou a cada federação o trabalho de eventualmente suspender atletas. A entidade também determinou que Stepanova não poderia correr no Rio, por já ter sido pega no doping no passado. O presidente do COI, Thomas Bach, optou apenas por convidar a russa a estar no Rio. Mas sem competir.

Um dia depois, ela rejeitou o convite e anunciou que entrará com um recurso. “O COI mandou uma mensagem aos atletas de que, se eles revelarem o doping, perderão a oportunidade de competir na Olimpíada”, disse. “A decisão é injusta”, declarou, em carta enviada ao comitê.

Segundo a declaração, sua vontade de competir sob bandeira neutra ocorre por conta das “ameaças” que ela vem recebendo desde 2014. “O foco do COI em Stepanova muda o foco para longe da questão real, que é o fato de a entidade não ter agido contra a Rússia”, disse seu marido e treinador, Vitaly Stepanov.

Reações. Bicampeã olímpica no salto com vara, a russa Yelena Isinbayeva aprovou a ausência da atleta. Isinbayeva, que ficará de fora dos Jogos por conta do veto à equipe de atletismo do país, disse à agência russa R-Sport que “ao menos se tomou uma sábia decisão sobre o atletismo”. Para ela,Stepanova deveria ser “suspensa por toda a vida”.

Já a Agência Mundial Antidoping (Wada) repudiou a decisão do COI. "A Wada foi bastante clara no suporte ao desejo de Yulia competir como uma atleta independente. Ela se expôs corajosamente no maior escândalo de doping de todos os tempos”, disse Oliver Niggli, diretor-geral da entidade. A Wada está muito preocupada com a mensagem que está sendo enviada aos delatores do futuro."

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