Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Sucesso do boxe brasileiro em Tóquio é fruto de organização, estrutura e talento

Brasil já garantiu três medalhas nos Jogos Olímpicos e, duas delas, ainda podem ser de ouro

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2021 | 15h00

O boxe brasileiro foi medalha de bronze no México-1968 e depois ficou 44 anos sem subir no pódio. Mas após Londres-2012, a nobre arte nacional somou sete conquistas em três Jogos Olímpicos. Em Tóquio, foi a vez da peso leve Beatriz Ferreira, do médio Hebert Souza e do pesado Abner Teixeira entrarem para o hall dos atletas medalhistas do País. A mudança de status dos boxeadores se deve, segundo os próprios pugilistas à estrutura de treinamento que lhes é proporcionada.

Um exemplo disso é o cartel de Beatriz, com mais de 120 lutas disputadas, em 30 torneios internacionais, desde 2016, quando passou a integrar a equipe permanente do Brasil, sendo sparring de Adriana Araújo, bronze nos Jogos do Rio. Ela disputa a medalha de ouro no domingo contra a irlandesa Kellie Harrington.

  

Os melhores boxeadores amadores do País possuem centro de treinamento, comissão técnica permanente e equipe completa com psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas, além de condições para disputarem todas as competições mais importantes pelo mundo. 

Mesmo durante o período difícil de pandemia, dez atletas e dois técnicos foram para Portugal, no complexo esportivo de Rio Maior, no ano passado. “A estrutura oferecida foi ideal para a nossa preparação. No momento de pandemia, com todos os protocolos de segurança realizados, tivemos muita tranquilidade para trabalhar em nível de pré-temporada”, disse Mateus Alves, técnico principal da equipe.

"Estamos prontos para qualquer coisa. Temos campeão mundial (na equipe), cara desconhecido cheio de gana. Estamos preparados para qualquer coisa. O Brasil hoje é uma potência no boxe. Teve sofrimento, teve luta, mas também tive boas pessoas ao meu lado que me guiaram e ajudaram a colocar essa escada para que eu pudesse subir", disse Abner Teixeira, bronze em Tóquio.

"Fico muito feliz e agradeço a todas as pessoas que fizeram parte disso, apesar de eu lutar sozinho no ringue, essa medalha tem muita gente que trabalha comigo. Por isso, tenho de manter o foco porque ainda falta uma luta", afirmou Hebert, que neste sábado disputa a final dos médios diante do ucraniano Oleksabdr Khyzhniak.

Outro exemplo que mostra o planejamento disponível para os atletas nacionais é o de Robson Conceição, representante brasileiro nas olimpíadas de Pequim-2008, Londres-2012 e ouro na Rio-2016, que somou mais de 400 lutas em sua carreira amadora. Dia 10 de setembro, o boxeador baiano vai disputar o título mundial dos superpenas, nos Estados Unidos, diante do mexicano Oscar Valdez.

  O sucesso de Robson no profissional também pode ser notado em Esquiva Falcão, prata em Londres, que está invicto e deve disputar no fim do mês uma eliminatória pelo título mundial dos médios no profissionalismo. No feminino, Adriana Araújo, bronze também em Londres, teve a sua oportunidade de disputar o título mundial, diante da irlandesa Katie Taylor, a maior boxeadora da atualidade.

Depois de Tóquio, as carreiras de Beatriz, Abner e Hebert vão continuar. Seja no amador ou no profissional, a garantia é de muito sucesso.

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