Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Tem muito chão para uma medalha, diz Arthur Zanetti

Após amargar resultado ruim no Mundial, ginasta muda série nas argolas para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro

Entrevista com

Arthur Zanetti

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2015 | 17h00

Desde a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, Arthur Zanetti tem feito história na ginástica brasileira. Em três anos, o ginasta sagrou-se campeão mundial (2013), subiu ao lugar mais alto do pódio nos Jogos Sul-Americanos (2014) e completou sua coleção com a dourada do Pan de Toronto, em julho.

Não é difícil entender por que ele chegou ao Mundial de Glasgow, na Escócia, como favorito. No entanto, o atleta ficou fora da final das argolas, interrompeu uma sequência de três pódios na competição (prata em Tóquio-2011 e Nanning-2014) e decepcionou pela primeira vez. 

Em entrevista ao Estado, Zanetti enumera os fatores que o deixaram fora da briga e reconhece ter ficado surpreso com o resultado negativo no Mundial. De olho na Olimpíada do Rio, o ginasta agora planeja mudanças no treinamento e ressalta: “Tem muito chão para pensar em uma medalha”.

Qual balanço você faz do Mundial?

O objetivo da vaga olímpica da equipe a gente conseguiu. Em 2014, conseguimos um fato inédito de pegar a final no Mundial. A gente veio para 2015 com esse mesmo objetivo e era importante, decidia a vaga olímpica. Esse ano mudou a história da ginástica masculina.

Foi difícil ver a final das argolas da arquibancada?

Muito, é diferente. Acho que todo mundo que tem uma chance de estar na final, gostaria de estar. Eu também. Mas pensei que essa ausência na final valeu a pena pelo fato de classificar a equipe completa para a Olimpíada.

Você considerou a avaliação dos juízes muito rigorosa?

Sim, eles estão rigorosos pelo fato de um ginasta estar muito próximo do outro. Quase todo mundo tira a mesma nota, tem a mesma execução e a mesma dedução. Vai ser a mesma coisa na Olimpíada.

O resultado te dececpcionou? 

Surpreendeu, mas não fiquei decepcionado. Surpreendeu porque a gente sabia que a possibilidade de pegar uma final existia. Faz parte, esse é o esporte de alto rendimento.

O que dizer do campeão mundial, o grego Eleftherius Petronias?

Eu o conheço. Ele já ganhou de mim e eu já ganhei dele. É especialista de argolas, forte e dedicado nos treinos. 

Qual a sua avaliação dos adversários para os Jogos após o Mundial?

A Grécia e a China, com seus dois atletas, são os principais rivais

O seu desempenho nas argolas no Mundial deixa dúvida para os Jogos?

Acredito que não. A gente está mudando um pouco a série. Vamos ver os elementos que temos capacidade de fazer e colocar em treinamento nas séries. Esse é o caminho que estamos seguindo e achamos melhor.

Essa mudança já estava planejada ou foi tomada depois do Mundial?

Já estava planejado mudar a série e aumentar um pouco a nota de partida. Pegamos o código, estamos pesquisando e estudando para ver qual é o melhor elemento que a gente consegue encaixar sem muito desconto e, então, colocar na série para treinar.

Para 2016, qual nota de partida seria interessante?

Igual ou maior do que a nota dos adversários que foram ao pódio no Mundial. Quem tem mais nota de partida é o chinês que ficou em segundo esse ano (Hao You), com 17,000. A gente acredita que com essa nota de partida dá para brigar, abaixo fica difícil. A minha é 16,800, dois décimos a menos, estamos brigando para aumentar.

Já sabe quais aparelhos vai fazer na Olimpíada?

Ainda não sei, não está definido nem a equipe. Preciso estar na equipe. Vou treinar para estar dentro e depois tem várias outras etapas a serem seguidas, classificatória e final. Tem muito chão para pensar em uma medalha.

Outros aparelhos, além das argolas, podem te atrapalhar?

Um pouco. Porque você deixa de treinar argolas para fazer outro aparelho. Mas os técnicos que vão decidir se vou precisar fazer outro aparelho ou não. 

Como você vê a chance da equipe brasileira nos Jogos do Rio?

É uma das melhores equipes que o Brasil vem formando, é uma equipe experiente apesar de ser jovem. Acredito que uma final por equipes a gente possa conseguir, mas uma medalha eu acho difícil. Uma final é bem provável.

Competir em casa ajuda?

Acredito que sim. Pela etapa da Copa do Mundo em São Paulo a gente viu que a torcida ajudou bastante. Cheguei no final da série mais tranquilo, estava bem focado no aparelho e com bastante energia. Acredito que, se seguir essa linha do público e também do ginásio, a torcida vai ajudar bastante.

Você lida bem com pressão?

Sim. Tenho conseguido lidar bem com essa parte de pressão. Competir uma Olimpíada não é fácil, ainda mais em casa. O atleta precisa se preparar para aguentar uma pressão do público e também da própria competição. É o maior evento do esporte olímpico e tem que estar bem preparado. Na hora da competição, 80% vai ser a mente, saber se controlar e repetir tudo o que fez no treinamento.

Qual é o planejamento até os Jogos?

Volto dia 4 de janeiro e não paro mais, vou até a Olimpíada direto. As competições não estão definidas, precisamos ver o calendário da FIG porque mudou. As etapas de Copa do Mundo serão todas antes da Olimpíada porque a FIG não quer nenhum evento grande depois. A gente precisa saber se planejar e ver qual é a melhor competição para a gente participar. O objetivo primordial para toda a ginástica masculina é estar bem fisicamente, sem lesões, na Olimpíada.

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