Márcio Fernandes/Estadão - 2014
Márcio Fernandes/Estadão - 2014

Tênis adota tecnologia em busca de medalha olímpica em 2016

Software que auxilia nos treinamentos é repassado pelo COB

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2015 | 17h00

Em 2016 o Brasil tem mais uma chance de se desvincular do papel de figurante na história do tênis nos Jogos Olímpicos. E na busca por uma conquista inédita o Comitê Olímpico do Brasil (COB) intensificou o investimento na modalidade e introduziu o uso de tecnologia para auxiliar na preparação dos atletas com maior chance de medalha a pouco mais de 500 dias para a Olimpíada do Rio.

O COB repassou para a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) quatro licenças do software Dartfish, que permite uma análise de imagens dos tenistas em ação. A partir dos quadros captados pela ferramenta, é possível aprimorar a parte técnica (biomecânica) e a parte tática (estatísticas) dos brasileiros, e também obter mais conhecimento sobre as características dos adversários. A parceria entre as entidades também prevê que a CBT passe um relatório mensal ao COB com um balanço do uso do programa.

Na prática, o trabalho teve início em fevereiro durante o Brasil Open em São Paulo. Com a transmissão dos jogos na televisão brasileira, o torneio da ATP foi escolhido para a primeira coleta de informações, que ficarão armazenadas em um banco de dados à disposição dos atletas e técnicos.

"É uma ferramenta de ponta para que a gente possa desenvolver a qualidade dos treinos e melhorar os resultados. Esperamos que isso fortaleça mais os nossos atletas para podermos alcançar nossos objetivos. Não queremos só a medalha nos Jogos Olímpicos do Rio, mas também nos mantermos no alto do ranking", afirma Paulo Moriguti, gerente de alto rendimento da CBT.

Os primeiros beneficiados pelo programa já foram escolhidos: Bruno Soares e Marcelo Melo. O quinto lugar na Olimpíada de Londres, em 2012, e os bons resultados no circuito da ATP apontam os duplistas mineiros como a principal esperança de medalha no Rio. "Eu me sinto honrado de fazer parte deste time, quero aproveitar ao máximo. A gente sabe que é uma oportunidade única que o COB está dando para a gente", diz Bruno.

Ele teve seu primeiro contato com o software recentemente, e reconhece que ainda tem bastante a aprender sobre suas possibilidades. "Conheci um pouco de tudo, mas ainda tem muita coisa que a gente vai aprender a usar. A parte de biomecânica é fantástica, um grande auxílio para o estudo de movimento do próprio corpo, e a parte de estatística vai complementar também. Mas é difícil dizer qual terá importância maior."

O uso do Dartfish não será restrito apenas aos duplistas. Além de Daniel Melo, técnico do Marcelo, o capitão da equipe brasileira, João Zwetsch, o fisioterapeuta, Paulo Roberto Santos, e o coordenador do departamento infanto juvenil da CBT, Patrício Arnold, também serão capacitados para o uso do software.

"Esse material será disponibilizado para a dupla e depois para outros atletas para que possam vivenciar essa ferramenta, entendê-la e usá-la como uma forma de preparação para os seus jogos. Acreditamos que a tecnologia faz parte de um atleta de alto rendimento, não pode ficar fora dessa preparação", explica o ex-judoca Sebástian Pereira, supervisor do departamento de alto rendimento do COB.

OLHANDO PARA FRENTE 

Com o investimento nas categorias feminina e infanto juvenil, a Confederação Brasileira de Tênis sinaliza que o investimento continua para o próximo ciclo olímpico. "A CBT vai um pouco mais longe, já estamos pensando em 2020. Vamos fazer uso dessa ferramenta de todas as maneiras e até onde ela puder nos proporcionar resultado", projeta Moriguti.

E o Comitê Olímpico do Brasil endossa esse discurso. "A gente costuma dizer que existe vida apos 2016, então, temos de pensar em 2020 e em 2024. Já estamos fazendo alguns investimentos nesse sentido, é um trabalho contínuo que vai chegar a atingir a maior parte dos atletas nesse caminho. A gente precisa ser bem realista, tem um foco em 2016, mas indiretamente espera atingir mais atletas nesse caminho", conta Pereira.

Apesar de o Dartfish ser uma novidade para o tênis brasileiro, ele já faz parte do cotidiano de outras modalidades há alguns anos, como atletismo, judô e natação. E, para os esportes coletivos, o COB tem dado prioridade para o software Sportstec. O objetivo é ampliar a área de atuação, e a entidade já tem outras equipes na mira: rúgbi e hóquei sobre grama.

"A tendência é aumentar conforme as modalidades tenham uma pessoa que consiga trabalhar a parte técnica. Estamos em um momento de apresentação da ferramenta a um grande número de modalidades que não estão acostumadas a ela. Tudo o que é novo é um pouco mais difícil de ser implantado, mas a gente vem ganhando terreno a passos largos para poder chegar a uma condição ideal em 2016", afirma Pereira.

BRASIL NOS JOGOS

Ainda na expectativa de conquistar uma medalha olímpica, o tênis brasileiro terá a próxima chance em casa, nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Até hoje, o melhor resultado obtido por um brasileiro foi o 4.º lugar de Fernando Meligeni em Atlanta, em 1996. Ele foi superado pelo indiano Leander Paes na disputa pelo bronze. Em 2000, Gustavo Kuerten era a principal esperança do País, mas ele sucumbiu diante do russo Yevgeny Kafelnikov nas quartas de final. Além deles, Luiz Mattar, Jaime Oncins, Thomaz Bellucci e outros tenistas já representaram o País na competição.

PROGRAMA OLÍMPICO

O tênis voltou a ser um esporte olímpico a partir de Seul, em 1988, mas a história da modalidade na competição é bem mais longínqua. Ele esteve presente no programa dos Jogos de 1896 até a edição de 1924, em Paris. O tênis "ensaiou" o seu retorno como torneio-exibição na Cidade do México, em 1968, e em Los Angeles, em 1984. O sucesso foi tão grande que o Comitê Olímpico Internacional (COI) resolveu recolocá-lo entre os participantes.

O formato da competição é semelhante ao dos torneios profissionais, organizados pela ATP e pela WTA. Entretanto, há uma disputa pelo terceiro lugar entre os perdedores das semifinais, o que não ocorre no circuito. Os jogos são disputados em melhor de três sets - com exceção da final masculina, que é levada até o quinto set. Nas últimas quatro edições da Olimpíada, a Federação Internacional de Tênis (ITF) estabeleceu a distribuição de pontos no ranking. Em Londres, em 2012, o dono da medalha de ouro faturou 750 pontos, enquanto a vencedora somou 685.

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