Teste olímpico não foi capaz de detectar amostras de doping

Estudo do exame que será utilizado em Pequim só detectou nove testes positivos entre as 2.600 amostras

Gina Kolata, New York Times

27 de junho de 2008 | 15h45

Atletas que desejem trapacear injetando em si uma droga para melhorar o desempenho aumentando o número dos seus glóbulos sanguíneos podem fazê-lo correndo pequeno risco de serem pegos, indica um novo estudo, possivelmente expondo outra falha naquele que é considerado o programa antidoping mais rigoroso do mundo.Um teste de urina que deveria detectar a droga, e que será empregado na Volta da França de ciclismo no mês que vem e na Olimpíada em agosto, tem grande chance de falhar, diz o estudo. A substância, a eritropoietina humana recombinante, conhecida como EPO, estimula a medula óssea a acelerar a produção de glóbulos vermelhos, portadores de oxigênio. E com um maior número de glóbulos, os atletas de provas de resistência, como ciclistas e maratonistas, podem ter uma melhora no desempenho.A EPO é proibida pela Agência Mundial Antidoping, um grupo internacional que promove e coordena os esforços para impedir o doping no esporte e cujo programa é seguido pelo Comitê Olímpico Internacional. A agência defende o seu teste contra EPO e questionou este estudo recente.Embora os atletas tenham afirmado que a EPO está sendo amplamente utilizada, poucos deles testaram positivo. A maioria dos atletas associados ao doping nos anos recentes foi pega não pelos testes contra drogas, mas por investigações criminais. Na edição de agosto de 2006 da publicação Blood, o laboratório americano encarregado de conduzir os testes para EPO relatou apenas nove testes positivos entre as 2.600 amostras de urina submetidas.O novo estudo pode ajudar a explicar o porquê disto - o teste simplesmente falhou.O estudo, que será publicado na quinta-feira na edição online da publicação Journal of Applied Physiology, foi realizado no verão e outono passados por um renomado laboratório da Dinamarca, o Centro de Pesquisas Musculares de Copenhagen. Os pesquisadores deram EPO a oito jovens e recolheram amostras de urina em diversas ocasiões, antes, durante e depois de os jovens serem dopados. As amostras de urina foram então enviadas aos dois laboratórios encarregados dos testes pela Agência Mundial de Antidoping, e requisitaram a realização de testes para a presença de EPO.O primeiro laboratório considerou certas amostras positivas e algumas outras suspeitas. (Um resultado suspeito não provoca sanções por doping.) O laboratório também declarou positiva uma amostra obtida depois de o jovem em questão ter parado de tomar a droga, a qual já deveria ter desaparecido de sua urina. A sua amostra anterior, obtida enquanto ele tomava EPO, foi considerada negativa pelo teste deste laboratório.O segundo laboratório não chegou a considerar positiva nenhuma das amostras de urina enviadas, e considerou apenas algumas suspeitas de uso do EPO. Os dois laboratórios discordaram quanto a quais seriam as amostras suspeitas.As regras da agência antidoping dizem que se a urina de um atleta mostra traços de EPO, ela deve ser testada novamente por outro laboratório encarregado. O atleta é declarado culpado de doping apenas se o segundo laboratório também detectar a presença de EPO. Segundo esta regra, nenhum dos jovens sujeitos ao teste teria sido acusado pelo uso de EPO, apesar de terem aumentado o seu número de glóbulos vermelhos e de terem melhorado o seu desempenho em testes de resistência. 

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