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Thiago Braz vai em busca de voos mais altos após ouro no Rio-2016

Brasileiro quer quebrar o recorde mundial após vitória na Olimpíada

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2016 | 05h00

Após o ouro olímpico, Thiago Braz projeta saltos cada vez mais altos no atletismo e garante que é possível quebrar o recorde mundial. "Tudo é possível. Mas para isso preciso estar focado, treinando e respeitando meus adversários", disse, em entrevista ao Estado. "Quero saltar cada vez mais alto (risos)! Mas, brincadeiras à parte, aos poucos estou voltando aos treinos e o meu desejo é estar sempre muito bem preparado para cada competição."

Grande nome do Brasil nos Jogos do Rio, o garoto de Marília, de 22 anos, conta que sua vida mudou completamente após seu feito no salto com vara. "Todos os dias, por onde eu passo, recebo o carinho das pessoas e isso é sensacional. Quanto aos prêmios, recebi tudo direitinho, como qualquer outro atleta", lembra.

Apesar de talentoso, ele surpreendeu no Engenhão durante a Olimpíada ao superar o favorito francês Renaud Lavillenie, que é recordista mundial com 6,16 m. Na disputa com o rival, Thiago marcou 6,03 m, cravando sua melhor marca na carreira e o recorde olímpico, enquanto o adversário não conseguiu superar o sarrafo nesta altura e ficou com a prata.

"Nossa relação é normal, a gente se respeita, nós não temos contato toda hora, mas quando nos encontramos ele é sempre educado. A rivalidade só acontece dentro das competições", revela. Na lembrança da torcida está a bronca do francês com o público, que vaiou o atleta e atrapalhou um pouco seu desempenho. 

A medalha coroou uma trajetória de superação do rapaz. Quando tinha apenas 2 anos, foi abandonado pelos pais e criado por seus avós paternos, Maria do Carmo e Orlando, e por um tio, Fabiano. Mas ele lida com naturalidade com tudo isso e não fala de dificuldades ou dramas, pelo contrário.

"Eu não me sinto um coitado por isso, muito pelo contrário. A respeito do meu passado e à história da minha mãe, não haveria problema em uma aproximação com ela, afinal de contas, ela é minha mãe. Sei que tanto ela quanto meus avós têm participação fundamental na minha história, minha mãe me gerando e meus avós me criando", afirma.

Por causa dessa relação próxima com os parentes, ele fez questão de dedicar o ouro olímpico para aqueles que participaram efetivamente em sua criação e fez questão de reencontrá-los após os Jogos do Rio. "Esse contato foi maravilhoso! Eu só tenho de agradecer ao apoio que os meus avós e o meu tio me deram. Sem eles, nada disso seria possível."

O ano de 2016 tem sido especial para Thiago. Além do ouro e do reconhecimento internacional, ele foi indicado pela Iaaf (Federação Internacional de Atletismo) como atleta do ano ao lado de grandes nomes dos esporte, como Usain Bolt, Mo Farah, Ashton Eaton e David Rudisha, entre outros. "É uma honra estar ao lado de todos eles. Estou superfeliz", comenta.

Até o atacante Neymar pediu votos para o atleta, que é agenciado pela empresa de sua família. "Sou gerenciado pela NN Consultoria, assim como o jogador Neymar Jr. A empresa é dos pais dele e eles fazem um trabalho muito legal com todos os seus gerenciados. Ainda não encontrei com ele devido às nossas agendas. Eu estou no Brasil e ele na Espanha em pleno campeonato. Mas tenho certeza que teremos muitas oportunidade de nos encontrarmos."

O grande trunfo de Thiago é treinar com Vitaly Petrov, técnico que comandou nomes como Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva. Os dois atletas foram os maiores nomes da modalidade e ele espera chegar ao status de ambos no esporte. "Era o meu grande sonho treinar com o Vitaly, ele é um cara espetacular e além de ser meu técnico se tornou um pai pra mim. Os meus maiores exemplos são o Sergey Bubka e a Yelena Isinbayeva, eles tiveram uma carreira brilhante e quem sabe um dia chego no mesmo nível", diz.

Por ser jovem, Thiago é um atleta que ainda tem muito a crescer. Ele vive em Fórmia e quer corresponder à altura nos próximos desafios para iniciar o próximo ano com o pé direito. Sempre saltando alto. "Minha rotina na Itália se resume em comer, treinar e descansar. Neste momento estou voltando gradativamente aos meus treinos e a minha primeira competição é em janeiro de 2017", conclui.

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