Matsui Mikihito / CPB
Matsui Mikihito / CPB

Thiago Paulino desabafa após ter ouro retirado: 'a pancada foi muito forte'

Comitê Paralímpico Internacional não revelou qual infração o brasileiro teria cometido, mesmo após pedido do Comitê Brasileiro

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2021 | 13h13

Thiago Paulino terminou a prova do arremesso de peso da classe F57 (cadeirantes com lesão na coluna) como medalhista de ouro da Paralimpíada de Tóquio. No entanto, horas depois, uma apelação da China fez com que as duas tentativas do brasileiro que superaram o chinês Guoshan Wu fossem consideradas inválidas, levando o brasileiro a ficar com a medalha de bronze.

Até agora, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) não revelou qual foi o teor da apelação chinesa ou qual foi a infração encontrada. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) pediu acesso ao vídeo no qual teria sido identificado o motivo para considerar as tentativas de Paulino inválidas, mas foi negado. Ainda assim, o CPB tentou recurso, que não foi aceito. O órgão brasileiro disse ter analisado as imagens e não ter encontrado qual seria a infração.

Na prova, Thiago foi o último a arremessar. Na primeira tentativa, a única considerada válida, ele marcou 14,77m, marca que lhe daria o bronze. No arremesso seguinte, marcou 15,10m, superando o chinês Wu, que havia marcado 15m, e anotando novo recorde paralímpico. O terceiro arremesso foi para 15,05m, enquanto o quarto e o quinto foram considerados inválidos já no momento da prova e o brasileiro escolheu não fazer o sexto, afinal, já tinha a medalha de ouro garantida.

"Como nada em minha vida nunca foi fácil, mais uma vez levei um golpe e muito forte! Não encontramos irregularidades em meus arremessos, mas de alguma forma a organização encontrou. Por isso a medalha de ouro, que considero ser nossa, do Brasil, por direito, não está em nossas mãos", escreveu Thiago nas redes sociais. Na cerimônia do pódio, o brasileiro demonstrou muita contrariedade, com o polegar para baixo, mexendo a cabeça em sinal de não, além de protestar erguendo o punho. O ouro ficou com o chinês e a prata com o também brasileiro Marco Aurélio Borges.

"Não é fácil, a pancada foi muito forte, mas em respeito a todos vocês que torceram muito por mim e todos que me apoiam, vou continuar na caminhada, pisando ainda mais forte. Não é sobre o quanto você bate, mas sobre o quanto você aguenta apanhar", completou, citando o filme Rocky Balboa. O atleta ainda prometeu publicar um vídeo explicando o que teria acontecido e definindo como 'um dia lamentável para o esporte paralímpico'.

O presidente do CPB, Mizael Conrado, também foi muito crítico à decisão. "Provavelmente, os titulares de mais esta esdrúxula decisão nunca disputaram uma medalha pra saberem a importância que tem o feito do nosso Thiago e o que representa tamanha injustiça, após cinco anos de dedicação, com treinos diários, abdicando de tantas coisas para ser o melhor", afirmou o dirigente, ex-atleta do futebol de cinco. Para Mizael, a recusa em mostrar o vídeo constitui falta de transparência por parte do IPC, que é presidido pelo brasileiro Andrew Parsons.

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