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Thiago Pereira: preparado para suportar a pressão em Pequim

Nadador diz ter aprendido com erros nas Olimpíadas de Atenas em busca de sua primeira medalha olímpica

Valéria Zukeran, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2008 | 10h06

Thiago Pereira embarcou nesta quarta para Macau, junto com o restante da delegação da natação brasileira que disputará os Jogos de Pequim, com a consciência de que a torcida espera muito dele, mas confiante de que não sucumbirá à pressão que o atrapalhou nos Jogos de Atenas. Nas próximas semanas, o atleta fará a adaptação ao fuso horário da China e finalizará sua preparação - o que na natação é conhecido como fase de polimento. Também tomará algumas decisões importantes, como, por exemplo, com qual roupa de natação competirá nos Jogos. O nadador falou para o Estado depois da última entrevista coletiva no Brasil, contando o que fez nas semanas que antecederam ao embarque, o que pensa de Michael Phelps, seu rival nas três provas que disputará na olimpíada, e da expectativa da torcida brasileira por medalhas. Garante: está mais maduro, tranqüilo, capaz de muito mais do que apresentou há quatro anos. Nas últimas semanas você fez um trabalho biomecânico para melhorar alguns movimentos, em especial de os de braço. Você poderia falar sobre isso?Não chegou a ser defeito. Era mais uma posição que eu não conseguia encaixar direito. E a filmagem da biomecânica ajudou nisso: melhorar esse encaixe para aperfeiçoar a braçada, para empurrar mais água. Também havia a questão da respiração. Às vezes, o problema é uma bobeira: era só esperar um pouco mais na respiração que o movimento encaixaria perfeitamente. Em alguns casos, um pequeno detalhe que muda o estilo inteiro.O que passou pela sua cabeça ao ver pela TV uma enxurrada de recordes mundiais sendo batidos na Europa e nos Estados Unidos?Você vê os resultados, mas não passa muita coisa na cabeça não. É chegar lá e dar o melhor de mim: quero fazer uma final brigando por uma medalha.Você ainda não decidiu que maiô vai usar na Olimpíada. Sei que já testou uma versão do LZR Racer, que não é aquela que você vai receber da Speedo em Macau, e uma do Blue Seventy. Já tomou uma decisão sobre o que fazer?Eu não sei. A gente [eu e o técnico Fernando Vanzella] vai usar esse período de aclimatação em Macau para definir com qual roupa estarei competindo. Todas as marcas estarão sendo distribuídas para todos os atletas. Terei muita roupa para experimentar nas próximas semanas.Você comentou que em Atenas teve algumas dificuldades pela falta de experiência. O que você acha que aprendeu de mais importante de lá para cá e qual seria a atitude você evitaria hoje?Acho que Atenas foi um aprendizado e tanto. Estar em uma final olímpica não é fácil - todo mundo olhando para você, pensando na expectativa de que você pode ganhar uma medalha. Eu senti bastante nervosismo. Em dois anos muita coisa na minha vida tinha mudado: em 2002 eu tinha chegado ao Minas e nem tinha resultado internacional. Mas aprendi muito naquela Olimpíada, no Mundial, no Pan-Americano, em cada competição que disputei. É uma experiência a mais que você vai levando para melhorar o desempenho daí para frente.No Pan, você ganhou uma grande quantidade de medalhas (seis de ouro, uma de prata e uma de bronze) e imagino que as pessoas que não acompanham tanto a natação criem uma expectativa de que você pode fazer o mesmo em Pequim. Porém, você sabe que a Olimpíada não é bem assim. Como lida com isso?Muita gente pergunta, até porque consegui muitas medalhas no Pan-Americano, quantas provas vou nadar em Pequim [participará de três - os 200 e 400 medley e o revezamento 4x200 livre]. Mas isso faz parte. Quando as pessoas falam comigo sempre perguntam de medalha e dão boa sorte. Faço com que isso me motive ao invés de transformar em algum tipo de pressão. Procuro levar a coisa para o lado positivo.Você apostaria que o Michael Phelps vai conseguir bater o recorde de medalhas de Mark Spitz [sete ouros]? Ele tem algum rival que, por resultados recentes, pode complicar em alguma prova?Essa Olimpíada vai ser um pouco diferente, com finais pela manhã. Antigamente cada prova demorava dois dias para ser definida. Agora vai demorar três dias. Para ele [Phelps] não vai ser fácil - terá uma maratona pela frente. Mas cada um tem seu sonho. Em Atenas, ele já conseguiu oito medalhas olímpicas - na minha opinião já fez história por este resultado - mas continua querendo sempre mais. Agora é a vez do recorde de sete de ouros do Mark Spitz. Eu não apostaria não porque não vai ser fácil. Todo mundo quer vencê-lo. Pelos resultados, acredito que o nadador que mais vai criar dificuldades para ele é o Ryan Lochte. Quase o venceu na seletiva americana e vai partir com tudo na Olimpíada.O que você teria a dizer para a torcida na sua partida?Torçam por todos os brasileiros. Não só nadadores, como os competidores de todos os esportes. E tenham certeza de que cada um vai dar o melhor de si. Na natação, temos todos o objetivo de dar o melhor, de chegar a uma final ou disputa de uma medalha olímpica. Nenhum atleta está saindo daqui para brincar.

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