Tocha divide comunidade chinesa de San Francisco

A grande comunidadesino-americana de San Francisco encontra-se dividida a respeitoda passagem da tocha olímpica pela cidade na quarta-feira. Alguns sino-americanos afirmam que os protestos contra osímbolo que percorre o mundo antes de chegar ao lar ancestraldeles poderia mostrar-se uma situação embaraçosa. "A maioria dos sino-americanos orgulha-se da China porque opaís conseguiu elevar seu padrão de vida", afirmou RollandLowe, que trabalhou como médico no bairro Chinatown de SanFrancisco por 43 anos antes de aposentar-se, dois anos atrás. "A China costumava ser chamada de o homem doente da Ásia e,para eles, ver o país recebendo as Olimpíadas é um grandemotivo de orgulho", acrescentou. Mas o médico mencionou também a polêmica em torno docontrole chinês sobre o Tibet. "Eles mais colocam dinheiro noTibet do que tiram dinheiro dali. E o Tibet não está cheio depetróleo." As ações repressivas lançadas pela China contramanifestações antigoverno no Tibet, no mês passado, foramduramente criticadas na comunidade internacional e mancharam ospreparativos para os Jogos Olímpicos. San Francisco é a mais chinesa das cidadesnorte-americanas, já que quase 20 por cento de sua populaçãopossui ascendência chinesa. A cidade, portanto, é uma escolhaóbvia para servir de palco único à passagem da tocha olímpicapelos EUA em seu caminho rumo às Olimpíadas de Pequim, quecomeçam em agosto. No entanto, essa mesma San Francisco, conhecida por suasposturas liberais, costuma canalizar protestos políticos, desdeaqueles lançados contra a Guerra do Vietnã nos anos 60 àquelesvoltados contra a Guerra no Iraque, nos últimos anos. Grupos preocupados com o Tibet bem como os que se dedicam aDarfur (Sudão) dizem que a passagem da tocha por San Franciscoserá uma oportunidade ideal para protestar contra as políticasadotadas pela China. "Acho que a tocha olímpica provê hoje uma oportunidadeideal para a sociedade civil do mundo todo mobilizar apoio asuas causas e apelos", afirmou Xiao Qiang, ativista dosdireitos humanos e professor-adjunto na Universidade daCalifórnia em Berkeley. "O que está acontecendo no Tibet apenas faz com que esseacontecimento seja mais intenso e mais focado", acrescentou. "Éinevitável que esse fato, a tocha olímpica, transforme-se emponto de confluência no qual todos os tipos de manifestantetentarão fazer com que suas reivindicações sejam ouvidas pelogoverno chinês." Grupos de San Francisco já realizaram protestos na cidade.Os mais dramáticos deles ocorreram na segunda-feira, quandoativistas tibetanos escalaram os cabos da famosa ponte GoldenGate a fim de pendurar ali faixas dizendo: "Libertem o Tibet". "Sabemos que isso é bastante desconfortável para o governochinês", afirmou Tsering Lama, 23, manifestante tibetano queveio de Toronto. "Até resolvermos a questão do Tibet, elesserão continuamente julgados." O ator Richard Gere deve discursar em uma vigília pró-Tibetna terça-feira à noite, horas antes da chegada da tocha. E osorganizadores do evento esperam que milhares de pessoascontrárias ao domínio chinês sobre o Tibet tomem as ruas dacidade na quarta-feira. (Reportagem adicional de Jim Christie)

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