Tocha olímpica chega a Bangcoc, Japão muda rota por segurança

A tocha olímpica chegou à Tailândia nasexta-feira sob forte esquema de segurança, e as autoridades sedisseram preparadas para impedir qualquer tentativa demanifestantes para apagá-la. Vários grupos planejam protestos em Bangcoc contra asituação dos direitos humanos na China, especialmente noTibete. O general Yuthasak Sasiprapa, chefe do comitê olímpicolocal, disse que as manifestações serão permitidas, desde quesejam pacíficas. "Mas não vamos tolerar quaisquer protestos ilegais ouviolentos. A tocha e os corredores serão escoltados de pertopor motos e patrulhas policiais ao longo de toda a rota",acrescentou ele à Reuters. Temendo distúrbios, um importante templo budista na regiãocentral do Japão desistiu de servir de ponto de partida para otrajeto da tocha nesse país, na semana que vem. O templo Zenkoji, de Nagano, disse ter recebido cerca demil cartas de todo o Japão pedindo para que o local nãorecebesse a tocha no dia 26, em protesto contra a repressãochinesa a manifestações no Tibete, em março, quando váriosmonastérios foram invadidos e monges foram presos. "Precisamos pensar na segurança, sendo um templo comtesouros nacionais e muitos visitantes", disse um funcionáriodo Zenkoji. Tóquio já anunciou que os guardas chineses que protegem atocha com mão-de-ferro em outros países não serão bem-vindosnessa etapa. Em sua longa viagem, começando na Grécia e passando porvárias cidades do mundo até a cerimônia de abertura daOlimpíada de Pequim, em 8 de agosto, a tocha olímpica estásendo alvo de inúmeros protestos contra o regime chinês. Na etapa anterior, na Índia, 15 mil policiais forammobilizados para conter os manifestantes, já que o país tem amaior comunidade mundial de tibetanos no exílio. A polícia tailandesa espera a presença de cerca de cemmanifestantes em frente à sede regional da ONU, no percurso de10,5 quilômetros da tocha, que começa no bairro chinês deBangcoc e passa pelo palácio real, com suas cúpulas douradas eespiraladas. O trajeto começa às 15h de sábado (5h em Brasília).Yuthasak disse que há atalhos e rotas alternativas preparadospara o caso de "incidentes inesperados". Na China, os protestos contra a tocha olímpica causam umamistura de irritação e perplexidade, pois a maioria vê nelesuma tentativa injusta de atrapalhar um grande momento do país. BOICOTE Na sexta-feira, a imprensa local noticiou que dois dosprincipais nomes das artes contemporâneas chinesas, WangGuangyi e Lu Hao, desistiram de participar de uma exposição naFrança em junho, em protesto contra a suposta falta de empenhodas autoridades francesas para impedir os ataques à tochaquando da sua passagem por Paris. Wang disse ao serviço Beijing News que ficou "muitochateado" com as propostas de boicote que circulam na França,"então achamos que neste momento específico participar daexposição seria infeliz, e decidimos não ir." Na Internet chinesa, muitos usuários defendem um boicoteaos produtos franceses e à rede de supermercados Carrefour. Já a agência estatal Xinhua parece tentar pôr freios aosímpetos nacionalistas, pedindo à população que se preocupe maiscom o crescimento econômico. "O zelo patriótico deve entrar numtrilho racional e deve ser transformado em ações concretas parafazer-se bem o seu trabalho", disse um comentário da agência.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.