Jack Guez/AFP
Jack Guez/AFP

Todos executivos do comitê da Irlanda indicaram empresa ilegal, diz membro do COI

Dirigentes estão envolvidos com venda ilegal de ingressos nos Jogos do Rio

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2016 | 18h04

Todos os 12 integrantes do comitê executivo do Conselho Olímpico da Irlanda (OCI, na sigla em inglês) participaram da "decisão inicial de indicação" da empresa THG Sports para revender ingressos para os Jogos de 2016 que o OCI recebeu, disse à Polícia Civil do Rio o presidente afastado do órgão esportivo irlandês, Patrick Joseph Hickey. Ele está preso no Rio, no Complexo do Gericinó, na zona oeste da capital fluminense, sob acusação de participar de um suposto esquema de revenda ilegal de ingressos para a Olimpíada e nega irregularidades.

A juíza Letícia D'Aiuto de Moraes Ferreira Michelli , do Juizado do Torcedor e dos Grandes Eventos, considerou a informação de Hickey relevante para a sua decisão que determinou a apreensão dos passaportes de seis membros do Comitê Olímpico da Irlanda, na manhã do domingo, 21. São eles: William O'Brien, Joah Delaney, Dermott Heniham, Linda O'Riley, Kevin Kilty e Sthephen Maryim. Apenas Kilty, Henihan e Maryim foram encontrados. 

É possível que os outros três dirigentes tenham deixado o Brasil. A ação da Polícia aconteceu em escritórios do OCI na Vila Olímpica e no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

 

"De fato, os demais membros do Comitê Olímpico e Staff Executivo, mencionados por Patrick Joseph Hivkey, em depoimento na Polícia, possuem nacionalidade irlandesa e retornarão ao país de origem tão logo termine a Olimpíada 2016, o que prejudicaria gravemente as investigações em curso e traria claro prejuízo à aplicação da lei penal", escreveu a magistrada na decisão em que determinou a apreensão dos documentos. Ela também ordenou que fossem apreendidos celulares e laptops dos executivos, assim como ingressos recebidos pelo comitê para serem distribuídos para a família olímpica irlandesa, mas que não foram utilizados. 

Segundo a Polícia Civil,  a THG revendeu a preços abusivos ingressos destinados ao comitê daquele país. Para a cerimônia de abertura do evento deste ano, chegou a cobrar US$ 8,6 mil (R$ 27 mil) de entrada, enquanto, no Brasil, o bilhete mais caro saiu por R$ 4 mil, acusam os policiais. A empresa não foi autorizada pelo Comitê Olímpico a revender estes ingressos. Porém, pelo menos 823 ingressos foram revendidos, pelo esquema ilegal.A THG nega ter agido ilegalmente.

 

Os membros do comitê que tiveram os passaportes apreendidos devem prestar depoimento nesta terça, 23, à Polícia. Eles estão proibidos de deixar o Brasil. Policiais civis do Núcleo de Apoio aos Grandes Eventos (NAGE) disseram que, de acordo com as provas colhidas até o momento, eles também estariam envolvidos na venda ilegal de ingressos.

 

Hickey está preso desde o último dia 17. Ele teve o pedido de liberdade negado pela Justiça, na última semana. Depois da prisão, Hickey foi afastado temporariamente da presidência do IOC. Já Kevin James Mallon, diretor da THG, foi preso no último dia 5. 

 

No domingo, 21, o comitê executivo do Conselho Olímpico da Irlanda anunciou que vai contratar uma empresa de auditoria, ainda nesta semana, para conduzir um inquérito interno sobre a suspeita de envolvimento de alguns de seus integrantes na venda ilegal de ingressos. Em nota, o Comitê disse estar tratando o assunto "com seriedade" e afirmou  que vai preparar um relatório, para ser apresentado ao Comitê Rio 2016. O documento vai exibir os resultados do trabalho dos auditores. O comitê afirmou, ainda, ter mudado o sua subcomissão de gestão de crises.

PARTICIPE

Quer saber tudo dos Jogos Olímpicos do Rio? Mande um WhatsApp para o número (11) 99371-2832 e passe a receber as principais notícias e informações sobre o maior evento esportivo do mundo através do aplicativo. Faça parte do time "Estadão Rio 2016" e convide seus amigos para participar também!

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.