Charly Triballeau/AFP
Charly Triballeau/AFP

Tóquio inicia estado de emergência faltando 11 dias para Olimpíada

Medida, que prevê fechamento de bares e restaurantes às 20h, pretende conter avanço dos casos de covid-19

Redação, O Estado de S. Paulo

12 de julho de 2021 | 09h32

A cidade de Tóquio, que recebe os Jogos Olímpicos a partir do dia 23, entrou em um novo estado de emergência para conter a covid-19 nesta segunda-feira. É o quarto da capital japonesa. Faltando menos de duas semanas para a competição, ainda existem dúvidas sobre o sucesso das medidas para conter um aumento de casos da doença.

Em Tóquio e Okkinawa, bares, restaurantes e karaokês estão proibidos de vender bebida alcoólica e devem fechar às 20h durante o estado de emergência. Porém, em locais como Chiba, Saitama, Kanagawa e Osaka, as restrições são mais leves. Com permissão das autoridades, a venda dessas bebidas pode acontecer até às 19h.

Na semana passada, os organizadores anunciaram que os espectadores serão proibidos em quase todos os locais de competição. Os espectadores estrangeiros já haviam sido barrados meses atrás. Agora as autoridades estão pedindo aos moradores que assistam ao evento pela televisão para conter a circulação de pessoas, que poderia disseminar o contágio.

O Japão registra mais de 815.440 casos de covid-19 e quase 15 mil mortes. Aumentos de casos recentes em Tóquio são particularmente preocupantes em meio a uma vacinação que começou lenta e enfrenta problemas de suprimento depois de ter acelerado. Só cerca de 28% da população já recebeu ao menos uma dose de uma vacina contra Covid-19. 

Pesquisas de opinião mostram que o público japonês está preocupado com a realização da Olimpíada durante a pandemia. A maneira como o primeiro-ministro Yoshihide Suga lida com a pandemia, incluindo uma distribuição de vacinas inicialmente lenta, compromete o apoio da população. A questão é especialmente delicada antes de uma eleição nacional e da definição da liderança do partido governista no final deste ano. "Pedimos às pessoas que apoiem os atletas de casa", disse o secretário-chefe de gabinete, Katsunobu Kato, em um programa de televisão dominical.

O governo e os organizadores veem os Jogos como uma chance de exibir a recuperação japonesa de um terremoto e uma crise nuclear devastadores ocorridos em 2011. No sábado, o governador do município de Fukushima, o local de um desastre nuclear, disse que os espectadores também serão proibidos nos jogos locais de softball e beisebol, revertendo uma decisão anterior.

Novak Djokovic, tenista número um do mundo, disse no domingo que está dividido a respeito da participação na Olimpíada de Tóquio desde a decisão dos organizadores de impedir a presença dos torcedores e de limitar o número de pessoas que ele pode levar ao evento. Rafael Nadal, Dominic Thiem, Stanislas Wawrinka, Nick Kyrgios, Serena Williams e Simona Halep já disseram que não atuarão nos Jogos.

 

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