Yoshikazu Tsuno / Reuters
Yoshikazu Tsuno / Reuters

Tóquio vacina voluntários e dirigentes a pouco mais de um mês do início dos Jogos

Após imunizar os atletas japoneses, programa foi estendido para outras pessoas que vão participar diretamente da Olimpíada  

AFP, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 08h41

Milhares de voluntários e dirigentes começaram a ser vacinados em Tóquio nesta sexta-feira, a pouco mais de um mês para o início dos Jogos Olímpicos, enquanto alguns especialistas insistem em que realizar provas sem espectadores seria a opção mais segura.

A organização dos Jogos de Tóquio cuida dos últimos detalhes antes da cerimônia de abertura, prevista para 23 de julho. O objetivo é finalizar as regras contra a covid-19 que ficarão em vigor durante as Olimpíadas e vacinar o maior número possível de participantes.

Também vão decidir sobre a presença, ou não, de espectadores locais nas arquibancadas e, em caso positivo, qual seria a lotação permitida. O público procedente do exterior já está proibido de assistir aos Jogos - pela primeira vez na história do maior evento esportivo do planeta.

"Organizar os Jogos sem espectadores é uma maneira melhor de controlar o risco. Mas se tivermos espectadores que se esforcem para comparecer, vamos fazer o possível para atender seus desejos, assim como devemos fazer o possível para minimizar os riscos", afirmou a presidente do comitê de organização, Seiko Hashimoto. "Nossa missão é buscar a melhor maneira de conseguir. Se as circunstâncias forem muito desfavoráveis, teríamos que desistir de ter espectadores e poderia acontecer na última hora", acrescentou.

Até 40 mil imunizados

Os atletas japoneses já começaram a ser vacinados e, nesta sexta, o programa foi estendido ao pessoal olímpico, voluntários e a outras pessoas que estarão junto com os atletas estrangeiros.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) doou doses da vacina da Pfizer/BioNTech para 40 mil pessoas, entre elas funcionários de aeroportos, jornalistas locais e árbitros olímpicos. 

Essas doses são diferentes das usadas na campanha nacional de vacinação do Japão, que se acelerou nas últimas semanas, com mais de 6% da população totalmente vacinada.

A organização dos Jogos busca, com isso, convencer o público japonês sobre a segurança do grande evento esportivo mundial. 

Na quinta-feira, o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suko, lembrou que as partidas de beisebol e de futebol continuaram com um número limitado de espectadores durante o estado de emergência, e "poucos focos" de contágio foram detectados.

Ele acrescentou, no entanto, que as medidas poderão ser reforçadas, caso a situação piore. "Se houver sinais de que o sistema médico enfrenta duras provas, devido a uma nova expansão das infecções, reagiremos de maneira flexível, reforçando as medidas", explicou ele em entrevista coletiva.

Novas orientações sanitárias divulgadas esta semana alertam os atletas que eles poderão ser expulsos dos Jogos, caso violem as regras, como usar máscara, ou se submeterem a testes diários.

Os organizadores anunciaram que cerca de 80% dos atletas participantes serão vacinados e não poderão interagir com o público japonês. O arquipélago japonês foi menos afetado pela pandemia do que outras grandes potências, com 14 mil mortes ligadas à covid-19 desde março de 2020, de acordo com números oficiais. 

10 mil espectadores?

Um grupo de médicos especialistas que assessora o governo japonês destacou nesta sexta-feira que os Jogos a portas fechadas seriam mais seguros: "A ausência de espectadores criaria um menor risco em termos de propagação de infecções dentro das instalações. Acreditamos que isso seria o ideal".

Sobre os espectadores em Tóquio, o número máximo está em 5.000 pessoas, ou 50% da capacidade do local. Esta regra ficará em vigor até pelo menos 11 de julho, mesmo com a suspensão do estado de urgência sanitária prevista para domingo. 

A partir de 11 de julho, o número máximo de espectadores será de 10 mil pessoas, ou 50% da capacidade do local. A decisão final sobre a presença de público nos Jogos é esperada para a próxima semana, com este limite como a opção mais provável. 

O comitê organizador de Tóquio 2020 anunciou nesta sexta-feira que reduziu o número de participantes dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos procedentes do exterior para 53 mil, sem contar os cerca de 15.500 atletas. 

Este número é bem inferior às 177 mil pessoas inicialmente esperadas, incluindo autoridades, pessoas que trabalham para patrocinadores e jornalistas.

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