Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Torcedores vibram com ingressos para os Jogos Olímpicos no Rio

Dona Ruth vai para sua sétima Olimpíada e Georgis Leonardis adquires 118 ingressos para as partidas de handebol masculino

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2015 | 17h00

A paulista Ruth Valente, de 84 anos, vai ver ao vivo sua sétima Olimpíada. Ela conseguiu ingressos na primeira fase de vendas e garante que vai tentar outros na próxima, com início em 1º de julho. A professora de educação física aposentada esteve presente nos Jogos da Cidade do México (68), Munique (72), Montreal (76), Moscou (80), Los Angeles (84) e Londres (2012). E foi sorteada para ver vôlei masculino, atletismo, vôlei de praia e a cerimônia de encerramento nos próximo ano. “É uma alegria muito grande. Temos a oportunidade de receber aqui a maior festa do esporte.”

Ela conta que fez um pedido muito maior, mas no sorteio que foi divulgado na última semana só conseguiu bilhetes para quatro sessões. “Quero tentar ver pelo menos uma prova por dia. Não adiante tentar pegar entradas para o mesmo dia porque as sedes nem sempre são próximas umas das outras”, explica, dando a dica para os marinheiros de primeira viagem. “Sou uma privilegiada por ter ido a tantos eventos esportivos.” Ela também esteve na Olimpíada de Inverno em Sochi, no ano passado.

Por 25 anos ela lecionou educação física, E depois se tornou diretora. Como o marido era atleta, corredor de 200 m e 400 m, a família sempre esteve ligada ao esporte. “Qualquer sacrifício vale a pena. Eu lembro de ver o Nelson Prudêncio em 68, a Nadia Comaneci na Olimpíada de 76, mas aquele atentado terrorista em Munique deixou um clima tão ruim que nem quis ver o encerramento dos Jogos. Em Moscou o mais marcante foi quando o mascote Misha chorou na festa de encerramento.”

Dona Ruth aposta no sucesso de algumas modalidades no Rio, como vôlei, vôlei de praia e handebol feminino. E manda um recado para o torcedor que está em dúvida se deve pedir ingressos. “Eu diria para nunca perder a oportunidade de ir, porque é de uma emoção muito grande. A gente vê o mundo inteiro em paz, alegria, em cores. O desfile na abertura é algo maravilhoso. É isso que o esporte consegue fazer.”

Outro torcedor que foi mordido pelo espírito olímpico é o engenheiro Bruno Borba, 37 anos, que vai ver algumas modalidades no Rio e garante que vai brigar até o fim para ter mais ingressos. Ele esteve nos Jogos de Londres, e desta vez fez um pedido de R$ 21 mil, mas conseguiu apenas um terço disso. “Consegui ingressos para judô, atletismo, tênis e basquete. Só faltou natação, que é uma pendência”, afirma o torcedor, que pretende trocar ingressos que tem dobrado por outras modalidades para as quais não conseguiu bilhetes.

Em Londres ele ficou na casa de um amigo, e vai recebê-lo em sua casa no próximo ano. Foi o jeito que os dois encontraram para economizar na estadia. “Sou viciado em esporte. Ter ido aos Jogos de Londres foi como ir para a Disneylândia. Meu objetivo agora é a cada quatro anos viajar. Quero ir para Tóquio em 2020 e já estou me programando para isso. Tento avisar no trabalho com antecedência para marcar férias e vou juntando dinheiro.”

SORTUDO

Georgis Leonardis dos Santos pode ser considerado o torcedor mais sortudo entre os que pediram ingressos para os Jogos do Rio. Com um aproveitamento de 100% dos pedidos, ele conseguiu os 118 bilhetes que solicitou, todos para o handebol masculino, e poderá ver de perto seu irmão Thiagus Petrus em ação. A brincadeira vai custar mais de R$ 22 mil, e toda a família de Juiz de Fora estará no Rio para curtir a festa. “Só podia pedir isso, por causa da limitação, e fui contemplado com tudo. Fiquei bastante surpreso.”

Ele tem 31 anos, trabalha no Banco Central e diz que a família vai em peso para apoiar o irmão famoso. “Só família de casa, são dez pessoas. Incluindo tios e primos, deve ter mais de 20 no total. A gente vai dividir os ingressos, porque não dá para ir em todos os jogos. Mas nos da seleção brasileira vai todo mundo, vou precisar até de mais bilhetes.”

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