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Trigêmeas da Estônia 'confundem' público na maratona do Rio-2016

Foi a primeira vez que trigêmeos competiram na Olimpíada

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2016 | 05h00

Inúmeros torcedores que acompanharam a maratona olímpica ontem pelas ruas do Rio tiveram uma estranha sensação de déjà vu, um sentimento de “eu já vi essa competidora passando por aqui”. O estranhamento foi causado pela participação das trigêmeas Leila, Liiny e Lily Luik, da Estônia, na prova de maratona deste domingo.

O COI (Comitê Olímpico Internacional) informou que não possui registros específicos sobre atletas irmãos, mas fontes confiáveis informam que foi a primeira vez que trigêmeos competiram na Olimpíada. O único jeito de diferenciá-las era pelos números: 633, 634 e 635.

Mais raro ainda é imaginar trigêmeas da Estônia, país que se tornou independente da União Soviética em 1991. Com apenas 1,3 milhão de habitantes, a Estônia tem pouca tradição nas provas femininas de corrida de longa distância.

Por tudo isso, as irmãs transformaram a simples participação na Olimpíada no maior feito de suas passagens pelo Rio. No final da prova, desfilaram como campeãs com a bandeira estoniana. O resultado final ficou em segundo plano.

Elas não estavam entre as favoritas e tiveram resultados modestos. Lily foi a 97ª; Leila em 114ª e Liiny não terminou.

“Ficamos felizes. Estamos fazendo história”, disse Lily durante concorrida entrevista coletiva. “Não existe competição entre nós. Quando minhas irmãs estão indo melhor que eu, não fico triste. Fico feliz por elas. Quando as duas ganham uma medalha, sinto que também ganhei uma. Estamos muito felizes pela participação nos jogos”, afirmou a fundista.

Nascidas prematuramente aos oito meses em 14 de outubro de 1985, elas sempre fizeram tudo em conjunto. Antes de começarem no atletismo, eram salva-vidas - todas as três. Foi um treinador que achou que tinham talento para a corrida, mas inicialmente elas acharam a maratona muito extensa. A aventura em dose tripla começou há seis anos.

Acostumadas ao assédio e principalmente às câmeras, elas dão entrevistas sempre em conjunto e uma completa o que a outra diz. Parece aqueles antigos jograis da escola. Uma parte desse entrosamento vem da natureza; a outra vem da grande quantidade de entrevistas que já concederam.

A aventura foi registrada nas redes sociais em uma série de publicações sob o título “Trio to Rio”. As três relataram detalhes de sua participação e até os momentos de lazer na cidade. Elas divulgaram fotos como turistas, outras ao lado de atletas da Estônia, treinando sob chuva e até com Veronica Campbell-Brown, jamaicana bicampeã olímpica dos 200 metros rasos.

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