Luis Robayo/ AFP
Luis Robayo/ AFP

Triste, mas orgulhosa, medalhista de prata Beatriz Ferreira promete ir a Paris-2024

Pugilista brasileira ainda é jovem e poderá chegar à próxima Olimpíada em seu auge após derrota na decisão do ouro em Tóquio

Redação, Estadão Conteúdo

08 de agosto de 2021 | 03h56

A boxeadora Beatriz Ferreira estava triste, mas orgulhosa da conquista da medalha de prata na Olimpíada de Tóquio. Ela perdeu a luta na final dos pesos leves (até 60 kg), neste domingo, para a irlandesa Kellie Harrington. A brasileira, de 28 anos, prometeu estar de volta aos Jogos Olímpicos de Paris-2024.

"Saí do Brasil com o objetivo de subir no pódio, aqui estou, queria o lugar mais alto, trocar a cor da medalha, mas estou muito feliz com esta prata, que tem sabor de ouro para mim. Estar em uma final olímpica é para poucas", disse a brasileira, única sul-americana a disputar uma final olímpica na categoria.

Emocionada, Bia aproveitou para agradecer a apoio recebido nos últimos cinco anos, que foram de preparação para Tóquio. "Tenho de agradecer uma equipe inteira, patrocinadores, amigos e minha família. Sou uma Bia mais madura, diferente. Não termina aqui, Paris é logo ali", disse a boxeadora, que analisou a derrota.

"O atleta sempre quer ganhar. Sabia que estava sendo uma luta parelha. Ela foi superior, mas acredito que foi um belo combate, ela usou a estratégia de anular o meu jogo e não consegui mudar isso. Mas estou feliz de estar nesse pódio, ter conseguido a prata, foi muito importante já que venho participando de campeonatos e apenas um até hoje eu não consegui estar no pódio. Então estar aqui tem o mesmo peso, como se fosse ouro. É duro, mas é gratificante ver que eu trabalhei, fiz as melhores escolhas", afirmou Bia, que somou apenas a sexta derrota em mais de 120 combates.

"Tóquio acabou, mas este ano ainda temos Mundial. Então não podemos parar. E aí, Paris? Vou conversar com meu treinador e vamos ver. Por mim sim. Quero mudar a cor desta medalha. Eu conhecia a irlandesa de campeonatos e só de estarmos no pódio já somos campeãs. Lutamos bastante para estar ali, mesmo eu não tendo conseguido o ouro, fico feliz por ela estar ali, demos parabéns uma para a outra. E é isso que fica, eu estou com a prata, ela com o ouro, mas eu acredito que a felicidade de todas é a mesma independentemente da medalha", disse Beatriz.

Bia aproveitou sua campanha em Tóquio para fazer um chamamento para a garotada. "Espero que com esses Jogos Olímpicos as meninas se animem a lutar. Que não tenha só uma Bia, uma Adriana, mas várias meninas. Eu vou ficar muito feliz. Será uma parte do meu trabalho sendo realizado. Meninas, façam esporte, lutem vale muito a pena", completou a brasileira.

Bia foi convocada em janeiro de 2016 para a equipe olímpica permanente e se mudou para São Paulo onde iniciou os treinos no CT no bairro de Santo Amaro. Ela tinha apenas seis lutas na carreira.

Bia ajudou na preparação de Adriana Araújo para a Rio-2016. Em fevereiro de 2017, ela virou a titular da equipe olímpica na categoria 60kg e iniciou suas participações em eventos internacionais. Foi campeã dos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba-2018, campeã dos Jogos Pan-americanos, em Lima-2019, campeã mundial em 2019, campeã continental de 2017/2108/2019 e medalha de prata dos Jogos Olímpicos Militares de 2019, além de tetra campeã brasileira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.