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Governador do Estado do RIo de Janeiro, Luiz Antonio Pezão, disse que as obras para despoluição das águas da Baía de Guanabara não ficarão completamente prontas até o início da Olímpiada de 2016 Reuters/ Ricardo Moraes

Um enorme risco para os atletas

Esportistas perdem dias de treino depois de ficarem com vômitos e diarreia

O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 01h25

Ivan Bulaja, o técnico croata da equipe de iatismo austríaca da classe 49er, está começando a compreender isso. Ele disse que seus iatistas perdem valiosos dias de treino depois de ficar doentes com vômitos e diarreia.

"Esta é de longe a pior qualidade de água que já vimos em toda a nossa carreira no iatismo", disse Bulaja.

Treinando no início deste mês na Baía de Guanabara, o velejador austríaco David Hussl conta que ele e seus colegas de equipe tomam precauções, como lavar o rosto imediatamente com água mineral quando se molham com as ondas e tomar banho assim que retornam à terra. No entanto, Hussl disse que adoeceu várias vezes.

"Tive febre e problemas de estômago", disse ele. "É sempre um dia totalmente na cama e, depois, mais uns dois ou três dias sem velejar." 

É um risco enorme para os atletas, disse o técnico. "A gente vive por uma medalha olímpica", disse Bulaja, "e pode realmente acontecer de ficar doente alguns dias antes da prova e não conseguir competir."

O Dr. Alberto Chebabo, que chefia o Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ, disse que o esgoto puro é causa de problemas de saúde pública "endêmicos" entre os brasileiros, principalmente diarreia infecciosa em crianças.

Quando chegam à adolescência, disse ele, as pessoas no Rio já foram tão expostas aos vírus que desenvolvem anticorpos. Mas os atletas e turistas estrangeiros não terão essa proteção. "Alguém que não foi exposto a essa falta de saneamento e vai a uma praia poluída corre, obviamente, um risco muito mais alto de ser infectado", disse Chebabo.

Estima-se que 60 por cento dos brasileiros adultos tenham sido expostos à hepatite A, segundo o hepatologista Dr. Terra. Os médicos insistem que estrangeiros que vierem ao Rio, sejam atletas ou turistas, vacinem-se contra hepatite A. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos também recomendam que os viajantes ao Brasil sejam vacinados para febre tifoide.

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