Markus Schreiber/AP
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Vanderlei Cordeiro de Lima 'ganha seu ouro' ao acender pira olímpica

Ex-maratonista foi medalha de bronze em 2004 nas Olimpíadas de Atenas

Gonçalo Junior, Marcio Dolzan e Nathalia Garcia enviados especiais ao Rio, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2016 | 00h39

Coube a Vanderlei Cordeiro de Lima percorrer os 200 metros finais com a tocha olímpica no Maracanã e acender a pira na cerimônia de abertura dos Jogos Rio-2016 nesta sexta-feira. O ex-maratonista, medalha de bronze em Atenas-2004, atou as duas pontas dos 26 mil km do revezamento do símbolo olímpico depois de ter marcado presença no primeiro dia, em Brasília.

Outros dois ídolos do esporte brasileiro tiveram a honra de participar do momento triunfal. Vanderlei recebeu a tocha das mãos de ex-jogadora de basquete Hortência. E, antes dela, o ex-tenista Gustavo Kuerten entrou no Maracanã com a chama olímpica. O nome do tricampeão de Roland Garros era especulado para o acendimento da pira. Vanderlei assumiu o posto que poderia ter sido de Pelé, mas o Rei do Futebol alegou problemas físicos e recusou o convite da organização.

"Recebi a minha medalha de ouro hoje (sexta-feira). Foi a minha primeira vez em uma cerimônia de abertura, já que sempre cheguei nos locais depois desta festa. Não tinha noção de como era tudo isso", disse Vanderlei Cordeiro de Lima, muito emocionado, em entrevista à TV Globo.

Vanderlei Cordeiro de Lima ainda brincou com Hortência, ex-jogadora de basquete, e Gustavo Kuerten, ex-tenistas, que o precederam nos momentos finais do revezamento da tocha antes do acendimento da pira olímpica. "A Hortência acompanhou os meus batimentos cardíacos naquela hora. Estavam altos", afirmou, rindo da situação.

Antes do momento mais esperado da noite, a público acompanhou de forma participativa da solenidade. Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador Rio-2016 e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), adotou um tom ufanista em seu discurso na cerimônia de abertura dos Jogos do Rio. O dirigente celebrou a realização da Olimpíada no Brasil e afirmou que o “mundo é carioca”. “Acreditem nos seus sonhos. Hoje é realidade: Rio é a casa dos Jogos Olímpicos.”

Nuzman destacou sua trajetória pessoal na organização dos Jogos. “O melhor lugar do mundo é aqui e agora: Rio, Brasil. Sou o homem vivo mais orgulhoso de todos: tenho muito orgulho da minha cidade e do meu país”, disse o presidente. “Vamos celebrar juntos, porque trabalhamos juntos para fazer os Jogos. Estes Jogos são de vocês, o primeiro na América do Sul”, discursou o dirigente em português e inglês.

Citando um trecho do Hino Nacional Brasileiro, Nuzman destacou os sete anos de preparação para os Jogos. “Trabalhamos para o futuro. Esse Brasil gigante, que aprendemos a adorar. Nasce hoje um mundo novo! Trabalhamos sete anos em uma jornada de superação e paixão pelo esporte. Lembrem-se: os filhos do Brasil não fogem à luta”.

Na sequência, foi a vez do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) discursar. Thomas Bach elogiou a preparação da cidade do Rio de Janeiro. “Este é o momento da Cidade Maravilhosa. O Comitê Organizador, as autoridades e todos os brasileiros podem estar bastante orgulhosos. Em sete anos, conseguiram alcançar o que gerações anteriores sonharam. Vocês transformaram o Rio numa metrópole moderna, ainda mais linda”, declarou.

Em uma mensagem ao mundo, Bach também fez um apelo ao respeito aos valores olímpicos. “Vivemos em um mundo onde o egoísmo está ganhando terreno, e algumas pessoas se declaram superiores a outras. Aqui está nossa resposta, com o espírito olímpico da solidariedade. Damos as boas-vindas ao Time Olímpico de Refugiados”, discursou.

“Caros atletas refugiados, vocês estão enviando uma mensagem de esperança a todos no mundo. Vocês tiveram que deixar suas casas por conta da diferença, da fome, ou por serem diferentes. Agora, com talento e espírito humano, dão grande contribuição à sociedade. No mundo olímpico, não apenas toleramos a diversidade, mas agradecemos por fortalecerem nossa união na adversidade”, disse Bach.

A participação do presidente em exercício, Michel Temer, foi breve. Mesmo tendo a palavra apenas para declarar abertos os Jogos Olímpicos do Rio, ele acabou vaiado pelos espectadores no Maracanã. Os fogos de artifício foram disparados logo na sequência para amenizar o clima hostil. E a festa continuou.

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