Vara de Fabiana é encontrada com material de atleta eliminadas

Brasileira foi prejudicada na final da prova do salto com vara em Pequim; ela ficou sem o seu material de trabalho

Marcelo Teixeira, Reuters

19 de agosto de 2008 | 01h26

A vara de Fabiana Murer que havia sumido da pista do Estádio Nacional Ninho de Pássaro na final do salto com vara dos Jogos Olímpicos, na segunda-feira, foi encontrada na Vila Olímpica em meio ao material das atletas desclassificadas na primeira rodada da decisão, informou o chefe da equipe de atletismo do Brasil, Martinho Nobre. Veja também: Organização dos Jogos pede desculpas a Fabiana Murer Fabiana Murer se envolve em confusão e fica sem medalha 'Nunca mais volto para a China', afirma Fabiana Murer Yelena Isinbayeva é ouro do salto com vara com novo recorde A campanha brasileira na Olimpíada de PequimAs varas das atletas que não avançam são encaminhadas à Vila após as provas, onde segundo Nobre o técnico de Fabiana, Élson Miranda de Souza, encontrou a vara da brasileira. Na segunda-feira, Fabiana não encontrou a vara que usaria quando o sarrafo foi colocado em 4,55 metros. Normalmente, as atletas neste tipo de competição utilizam varas de densidades diferentes de acordo com a altura que desejam atingir. Quanto mais alto precisam chegar, mais dura deve ser a vara. Fabiana havia utilizado uma vara de menor densidade (mais mole) no primeiro salto que fez na noite, de 4,45 metros, e avançou à próxima marca. Sem a vara ideal, ela improvisou utilizando uma para alturas superiores a 4,70 metros, mas não conseguiu ultrapassar o sarrafo colocado a 4,65 metros nas três tentativas que fez. "A hipótese mais provável é que alguém da organização tenha deixado por descuido uma das varas em algum lugar no estádio. A vara não foi pra pista e daí, quando voltaram as varas das atletas desclassificadas, colocaram tudo junto, inclusive a da Fabiana, e levaram de volta pra Vila", afirmou Nobre. Ele salientou, no entanto, que ainda não foi fornecida uma explicação oficial por parte da organização sobre o ocorrido, tampouco foi devolvida a vara. "O técnico achou a vara, mas ela continua na Vila em poder dos organizadores. Estamos esperando eles devolverem, porque ela vai precisar dela para competir", disse ele. Cada vara desse tipo pode custar em torno de US$ 1.500, mas o dirigente afirmou que o valor não é o mais importante no caso, mas sim a construção que é feita sob medida, segundo os dados de peso e altura da atleta. Fabiana, que embarca de volta para o Brasil nesta terça-feira, disputará em breve três meetings de atletismo europeus. A missão brasileira na Olimpíada entrou com um pedido de anulação da prova ainda na noite de segunda-feira em Pequim (horário local), mas a Federação Internacional de Atletismo não atendeu à solicitação. Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, a federação informou que o fato de Fabiana ter tentado saltar mesmo depois do episódio validou sua participação na competição. Na prova, a russa Yelena Isinbayeva bateu o novo recorde mundial, saltando 5,05 metros. A norte-americana Jennifer Stuczynski ficou com a prata, saltando 4,80 metros, mesma marca que Fabiana fez no Troféu Brasil neste ano.

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