Fábio Motta/Estadão-19/04/2013
Fábio Motta/Estadão-19/04/2013

Velejadores relatam diarreia após treinarem no Rio para a Olimpíada

Estrangeiros admitem que não podem provar que problema foi a poluição das águas da baía. Mas alerta que a água está 'imunda'

Jamil Chade, Correspondente, O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2014 | 11h44

 GENEBRA - Faltando pouco mais de um ano e meio para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, velejadores estrangeiros alertam para a poluição na águas que serão usadas para as modalidades olímpicas e contam que chegam a desinfetar as mãos depois de velejar. Vários deles que treinaram nas últimas semanas no Rio tiveram diarreia e febre, ainda que admitam que não há como provar que foi por conta da água. 

Em declarações à agência pública suíça - Swissinfo -, atletas que estarão nos Jogos de 2016 contam que temem pela poluição. "A qualidade da água é muito ruim. Ela tem muitos detritos e peixes mortos. Eu tenho um pouco de medo de velejar nesta água suja e sofrer com sérios problemas  de saúde", disse Yannick Braulic, um dos velejadores suíços.

Braulic contou à Swissinfo que sofreu com a febre e a diarreia por alguns dias durante as duas semanas de treinos no Brasil. "E não aconteceu somente comigo, outros velejadores de outros países também ficaram mal", disse.



Ele deixa claro que não há como provar que foi a água. Mas indicou que está tomando medidas de prevenção. "Não sei se foi culpa da água. Tentamos não bebê-la, desinfetamos sempre as mãos depois de velejar e tomamos muitas vitaminas", conta ele.

"A situação piorou. Sinto falta dos lagos limpos de casa", disse Romuald Hasser, outro membro da equipe suíça.

"A água está imunda. Não é a ideal, sem dúvida. Este é um problema sério. Mas é um problema para todos aqui. E já é muito difícil navegar aqui com as correntes e os ventos, muito complicado" disse o suíço Matias Bühler, da classe Narra.

Na Europa, a situação da poluição no Rio de Janeiro chamou a atenção quando técnicos da Fiocruz apontaram numa análise de rotina da água da baía a existência da "superbactéria" KPC. Normalmente encontrada em lixo hospitalar, ela poderia gerar sérios problemas gastrointestinais e pulmonares.  Mas as autoridades alertaram que a bactéria não sobreviveria ao sal e sol e, portanto, o risco de contaminação era baixo. 

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